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Ao longo destes meses de pandemia assistimos a um proliferar de grupos nas redes sociais de entendidos nas mais diversas matérias e de apoio aos supostamente menos entendidos.

Parece-me, no entanto, unânime a opinião de que ninguém entende o racional por detrás das regras decretadas nos (e fora dos) estados de emergência. Ainda que uma coisa seja sempre deixada clara – o que acontece é sempre da nossa responsabilidade. O Natal, por exemplo, foi uma prova de confiança que o Governo nos deu … e deu asneira. Somos todos uns parvos e tontos e agora temos de confinar novamente porque o número de casos disparou. Culpa nossa! Nunca da (des)organização do Governo, da péssima comunicação ou (des)informação.

Os grupos de “opinadores” e a suposta desobediência só acontecem – e também eu aqui sou “opinadora” – porque não é divulgada a informação realmente necessária à compreensão nem tomadas as medidas que permitam ver resultados práticos. Só assim as pessoas podem perceber e/ou acreditar no sistema e na sua bondade. Doutra forma, está tudo farto, parece que andamos aos empurrões, num desnorte completo. Mas sem abdicar das agendas políticas!

Do nada criaram-se dois tipos de portugueses – os “responsáveis” e os “negacionistas”.

Quem nada põe em causa ou questiona, ou sequer pensa, porque há quem pense por ele, é responsável. E acusa, chama nomes, agride … quem (lhe parece) não cumpre. Sendo que, na verdade, o próprio também não cumpre … até porque é humanamente impossível cumprir todas as regras. E, por isso, até o escrupuloso responsável se aproxima de quem lhe quer retirar o último pacote de papel higiénico da prateleira do supermercado ou visita uma avó que lhe é muito querida e lhe parte o coração sabê-la sozinha e isolada – a não ser que seja tudo por amor, que interesse nem tem nenhum e, então, nem a visita, porque a Covid a pode matar.

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Quem não segue de forma cega autoritarismos ditados em nome de uma pandemia, que pretendem retirar a liberdade individual de movimentos, com dias e horários definidos, extorquir a propriedade privada a favor do Estado em nome de expropriações “urgentes” sem justificação, retirar o sustento a milhares de famílias que são literalmente impedidas de trabalhar, são negacionistas.

Não vale a pena lembrar, que à parte disto tudo, ficam as iniciativas do PCP e da CGTP. É outra realidade e nem vale a pena ir por aí. Ainda no passado fim de semana se viu novo comício do PCP, cheio de gente, desta vez a propósito das presidenciais e da candidatura de João Ferreira.

Para que as dúvidas acabem e as pessoas possam unir-se em torno de um objectivo comum, talvez fosse boa ideia apresentar mais números para além dos casos e dos mortos.

Talvez fosse boa ideia colocar ideologias de parte. Talvez fosse boa ideia a agenda política ficar sujeita ao mesmo confinamento que os portugueses e todas as restantes actividades. Talvez fosse boa ideia relacionar o número de testes realizados com o número de casos. Talvez fosse bom perceber quantas mortes se explicam apenas pela Covid ou se a Covid não foi mais do que um teste positivo numa pessoa que, infelizmente, ia morrer de qualquer forma.

Existem mais seis mil mortos não explicados por Covid do que nos anos anteriores. O que está a falhar e a quem se podem e devem imputar responsabilidades? Como se explica a inexistência de gripe este ano? Como estão a ser acompanhadas as doenças crónicas?  Quem será responsabilizado pelos cancros não diagnosticados? Quem será responsabilizado pelo aumento em número e agravamento de doenças mentais?

Como é que se explica que tudo feche às 23 horas durante a semana e às 13 horas nos fins de semana?  Em que é que a mudança ou não de concelho, no fim de semana, impede as deslocações programadas? Porque não se prioritizam os lares, dando-lhes a capacidade de recursos física e financeira que a maioria já não deve ter?

Tudo isto já foi dito, escrito e questionado. Inclusive por mim, em artigos anteriores. Mas … e respostas das entidades oficiais que nos ajudem a perceber? Que não deixem que restem dúvidas de que todas estas questões são falsas e que tudo vai bem no reino dos tugas? Ou não vai? Por má gestão e cegueira ideológica?

Porque é que não se repartiu a capacidade instalada – onde se incluem os hospitais privados – entre hospitais para doentes Covid e hospitais para todos os outros casos? Para que ninguém fique por tratar, por acompanhar.

Quanto aos confinamentos, muitos argumentam que nos outros países também está tudo em lockdown, como sempre, gostamos de utilizar inglesismos, sempre parece mais sério e de abrangência global! O problema, meus caros, é que Portugal é pobre! As actividades encerradas não estão nem podem ser apoiadas de forma justa, porque não há dinheiro e ao fecharem, estão a ser destruídos inúmeros postos de trabalho que não só vão aumentar os encargos sociais dos anos vindouros, como vão retirar receita fiscal que muita falta vai fazer nesses mesmos anos, ou seja, têm um duplo efeito negativo.

Ah, vem aí dinheiro europeu … não, não vem … ou melhor, vem, mas já cá andamos todos há tempo suficiente para saber que vai parar a todo o lado menos aos que realmente precisam.

Escusado será também dizer, que por muitas regras que queiram impor, quem tem de trabalhar para comer, vai trabalhar, mesmo que se saiba infectado. Porque a fome não tem assintomáticos.

É, aliás, muito curioso que nunca se ouviu falar em assintomáticos como agora… eu ainda sou do tempo em que ou se estava bem ou se estava doente. Agora há “doentes assintomáticos”, ou seja, não têm qualquer sintoma, não tomam (por isso) qualquer medicação, mas fazem parte dos números de casos! E isto é que parece ser importante. Números altos para assustar a população e continuarem a ditar regras a seu belo prazer. A percentagem de mortes continua em níveis baixíssimos, mas ainda assim o papão desceu à terra e parece que nada mais importa, nada mais interessa.  Com o estado de emergência, o Governo pode tudo. E não está a perder tempo, sequer, para se justificar. Afinal, no estado de emergência, nem precisa …

Como nota final, gostaria de relembrar que a esmagadora maioria dos mortos com Covid têm idades superiores a 80 anos. É, aliás, muito curioso saber, que a esperança média de vida em Portugal é de 80,9 anos (Fonte: Pordata) e que a idade média de mortos por Covid é de 81,4 anos (Fonte: min-saude.pt).