Aquilo que aqui me traz é uma proposta assumidamente populista. Não é um bocadinho populista. Muito menos tem laivos de populismo. É populista e ponto. Não, não pretendo imitar os parlamentares que, como aconteceu esta semana, em Portugal se substituíram aos peritos de saúde e decidiram acrescentar vacinas ao plano nacional de vacinação (também já tinham querido proibir a prescrição de um medicamento pelo que é de temer onde acabará este caso de medicina-parlamentar). E que em França a pretexto da protecção à infância já legislam sobre as repreensões que os pais dão aos filhos e transformam uma palmada num mau trato. Também não vou repetir a leviandade dos deputados quando aprovaram  legislação “disney” sobre o abate nos canis que levou a que as autoridades nada façam perante a proliferação de matilhas. E muito menos vou perder tempo com a preocupação que medra entre as boas almas com o populismo crescente na Europa.

Pois admitindo como certa a definição do Guardian que tanto tem dado que falar – “Um partido é considerado populista, se apresenta a vida política como uma luta entre uma massa de cidadãos virtuosos e uma elite mal-intencionada e venal. Os partidos populistas, obviamente, assumem-se como representantes do bem (“nós”, “o cidadão comum”) contra o mal (“eles”, “as elites”) – temos de convir que nós, portugueses, há décadas convivemos, toleramos e respeitamos partidos que, como são os casos do PCP e do BE, têm precisamente essa visão da sociedade. Populista, pois claro. Portanto e a não ser que se pretenda instituir que o populismo só existe à direita e que à esquerda o referido populismo se chama “justa indignação” e “luta contra as injustiças” vamos deixar o frenesi anti-populista a marinar.

Passando ao que me interessa, aqui está a minha proposta (populista, pois claro): é urgente o avanço civilizacional do direito a fazer greve ao pagamento de impostos. É isto populismo? Claro que é. Na verdade e parafraseando a definição vigente de populismo -– “Um partido é considerado populista, se apresenta a vida política como uma luta entre uma massa de cidadãos virtuosos e uma elite mal-intencionada e venal.” – não tenho qualquer confiança nesta élite que em quarenta anos não só deixou o país falir três vezes –1977, 1983 e 2011 – como nunca assumiu a sua parte de responsabilidade nesses desastres.

Quando é que a CML nos dá explicações para esse sugadouro do dinheiro dos contribuintes que é o alegado negócio dos terrenos da Feira Popular e de caminho se fazem as contas aos arrebatamentos do “Zé que faz falta”?

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