Quando há uma crise económica forte, as empresas pedem a proteção ao Estado. O que demonstrará a superioridade do Estado em relação ao mercado. Este é, em traços gerais, o argumento das nossas esquerdas para justificar o crescente peso do Estado da economia. É um argumento extraordinário.

Vejamos o exemplo do papel do Estado numa guerra (e muitos recorrem à linguagem da guerra para descrever o combate ao Covid). Numa guerra, compete ao Estado usar meios extraordinários para proteger a população. Mas não é por isso que os Estados não abdicam dos poderes extraordinários quando a paz regressa. O Estado tem poderes especiais, por isso é soberano, e deve usá-los em situações extraordinárias como uma guerra ou uma crise económica. Mas, resolvido o problema, o Estado deve voltar a usar o seu poder de um modo limitado.

Ou seja, numa crise económica como a actual, o Estado tem a obrigação de ajudar a economia privada. Quando a crise passar, deve retirar-se do sector privado. É uma obrigação do Estado, não é um favor que fazem às empresas. Só não entende este ponto elementar quem for revolucionário, e olhar para uma crise como um pretexto para fazer uma revolução económica. É o que as esquerdas radicais pretendem fazer em Portugal: a crise como o caminho para a economia socialista é o sonho das extremas esquerdas, e o pesadelo dos portugueses. Os ditadores nacionalistas também usam as guerras como pretextos para reforçar os seus poderes.

Vou usar dois exemplos para mostrar como o Bloco e o PCP querem usar a pandemia para enfraquecer a economia, empobrecer os portugueses e tornar a nossa sociedade mais injusta. Vamos começar pela saúde. Os ataques das extremas esquerdas à saúde privada são um dos maiores exemplos de ideologia revolucionária em Portugal. Ao contrário do que diz a propaganda das esquerdas radicais, as instituições de saúde privada não servem apenas os interesses dos seus acionistas.

As clínicas e os hospitais privados tratam da saúde de milhões de portugueses. São indispensáveis para que o SNS não entre em falência. Qualquer pessoa que olhe para os números em Portugal, número de doentes, custos financeiros, encargos do Estado, sabe que as instituições privadas são essenciais para a saúde nacional.

O segundo sector é o turismo e, em particular, o aluguer de alojamento local a turistas. A multiplicação de pequenas empresas de turismo nas principais cidades portuguesas foi um dos melhores exemplos das últimas décadas de empreendedorismo dos portugueses, sobretudo dos jovens. Ajudaram a modernizar Lisboa e o Porto, deram-lhes vida, contribuindo para promover outros negócios como cafés, restaurantes e lojas. Com isso, criaram-se milhares de postos de trabalho para jovens que estariam condenados ao desemprego ou à emigração.

Este sector não dá lucros a grandes grupos capitalistas. Dá oportunidades a jovens empreendedores que gostam de arriscar, que não se querem conformar a um emprego para toda a vida no Estado. Querem melhorar a sua vida, com base no trabalho e nas suas competências, sem dependerem de redes de influência. Querem ser livres, gozar a sua vida e que os deixem em paz.

As extremas esquerdas detestam esta liberdade individual que floresce na economia privada e no mercado. Preferem jovens que dependam de ligações partidárias e políticas para ‘arranjar empregos’. É assim que pensa o Bloco, só lhe falta o poder. E é o que faz o PCP nas suas autarquias. As esquerdas não querem cidadãos livres. Desejam controlar o destino e a vida dos portugueses. Por isso, não descansaram enquanto não conseguiram aumentar os impostos e aprovar mais regulamentos sobre as pequenas e médias empresas de turismo.

Por vontade das extremas esquerdas, os serviços de saúde seriam muito mais precários e de menor qualidade. E os jovens urbanos serão menos livres e mais dependentes do Estado, ou obrigados a ir para o estrangeiro.

Perante os ataques ideológicos da extrema esquerda contra o bem estar dos portugueses, o que andam a fazer os líderes do PSD, do CDS e do Chega? Na maior parte do tempo, andam a olhar uns para os outros e para os adversários dentro dos seus partidos. Nenhum português se preocupa com isso.

No nosso sistema político, com excepção da Iniciativa Liberal, ninguém é capaz de defender com convicção a iniciativa privada e a economia de mercado. Ninguém o faz com a mesma convicção com que o Bloco e o PCP defendem a intervenção do Estado na economia e as nacionalizações. Quase meio século depois do 25 de Abril, e 35 anos depois da adesão à União Europeia, esta é uma das maiores tragédias intelectuais do nosso país. Por isso, somos pobres. Continuaremos a empobrecer, enquanto isto não mudar.