A importância do poder local é enorme. Este é fundamental para que as medidas ditadas ao nível central cheguem às pessoas. Por isso, embora não sejam tão glamorosas, como as presidenciais, precisamos de falar e dar ênfase a estas eleições.

Quando falamos em autarquias não estamos apenas a falar em ideologia política. Aliás, não se devia ler, através das autárquicas, vitórias ou derrotas partidárias. Essa ânsia enviesa o propósito deste ato eleitoral.

O centralismo nota-se.

Candidatos de Lisboa e Porto têm destaque nos canais nacionais. São escrutinados e as suas ações de campanha abrem noticiários. Todavia, quando falamos no poder local, falamos no contacto direto com as populações. Precisamos de decisores políticos que adequem, adaptem, transformem executem as medidas para que cheguem às pessoas. No poder local importa a capacidade de operacionalizar, a capacidade de dar resposta às necessidades/problemas dos cidadãos.

Quando falamos em autárquicas, falamos em pessoas. As pessoas votam no trabalho feito. Os autarcas são responsáveis por serviços essenciais, aqueles que estão no quotidiano, isto é, escolas, transportes públicos, lixo, saneamento, espaços verdes e muito mais.

Será importante que se faça política local — Portugal não é apenas Lisboa. Há mais distritos e importa escrutinar toda a realidade do país. São inúmeros os desafios de todos os distritos e todos têm necessidades diferentes e específicas. Importa trazer pluralidade à discussão. Que se saia à rua e se ouça a população, se compreendam as necessidades ao nível local. Importa discutir o envelhecimento demográfico, as taxas de natalidade, o acesso aos transportes públicos, a gestão e o ordenamento do território, a gestão da floresta, a erosão costeira, a qualidade de vida que cada distrito proporciona às famílias, a oferta cultural, a integração dos imigrantes… Tanta temática! Temas que precisam de ser analisados casuisticamente, sem ideologias e posicionamentos castradores.

Por isso, mais do que um festim da política partidária, precisamos da festa da democracia. A democracia está em crise, está distante dos eleitores. Esta é uma oportunidade, importante na nossa sociedade. Por isso, seria importante não polarizar as temáticas destas eleições, com os temas que a bolha mediática alimenta para encher manchetes. Precisamos de falar de pessoas, do que as pessoas precisam. Precisamos de ver a democracia e funcionar, sentir a democracia a resolver os problemas das pessoas.

Quando falamos em câmaras municipais falamos no órgão executivo, liderado pelo Presidente da Câmara, que toma as decisões do dia-a-dia do município. Este, deve ser o foco na discussão. Seria importante que esta campanha eleitoral assentasse neste pilar, mostrar boas práticas, bons exemplos e também, maus exemplos camarários. Para que possamos fazer um balanço global do que se passa nos distritos e perceber o país real.