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Guerra traduzida na Rádio Observador. Trazemos os destaques da imprensa russa e também da imprensa ucraniana. Está connosco a Diana Rosa. Diana, boa noite.

Boa noite, Filipa.

A proposta de paz dos Estados Unidos para a Ucrânia continua a dominar a imprensa dos dois países. Vamos começar pelos jornais russos. O Kremlin rejeita a contraproposta europeia.

Yuri Ushakov, um dos principais assessores do Kremlin, classifica o documento como não construtivo e confirma que Moscovo não aceita. À primeira vista, é completamente contraproducente, não convém ao Kremlin, diz Ushakov. Isto porque, Filipa, no entender da Europa, a proposta base elaborada pela administração norte-americana favorece, e muito, a Rússia. A versão do plano europeu suavizou algumas das exigências mais duras a Kiev, incluindo o aumento do limite das Forças Armadas Ucranianas e a retirada da exigência de que a Ucrânia cedesse território adicional no Donbass. O plano europeu também pede um cessar-fogo ao longo das actuais linhas da frente e procura garantias de segurança dos Estados Unidos para a Ucrânia, espelhando, desta forma, o artigo quinto da NATO. O Ministério dos Negócios Estrangeiros de França recusa-se a comentar a notícia. O da Alemanha também.

Já Vladimir Putin afirma que o plano de paz original dos Estados Unidos pode servir de base para um acordo definitivo.

Foi numa chamada telefónica com Recep Erdoğan, que o presidente russo diz que o plano de paz dos Estados Unidos pode, em princípio, ser o mais indicado para o lado do Kremlin. Contudo, nas negociações em Genebra deste fim de semana, a administração norte-americana comprometeu-se em estabelecer com a Ucrânia um quadro de paz atualizado e aperfeiçoado, com uma evolução em relação à proposta inicial norte-americana. A informação foi avançada pelo Kremlin, num comunicado publicado depois do contacto entre os presidentes da Rússia e da Turquia, numa chamada feita hoje. Neste telefonema, Putin sublinha que o plano de paz dos Estados Unidos, que foi conhecido recentemente, é consistente com as discussões da cimeira russo-americana que se realizou no Alasca, onde esteve Putin com Donald Trump. Por sua vez, Recep Erdoğan mostrou a intenção de fornecer toda a assistência possível à negociação. Como já tem sido habitual, disponibilizou-se para que Istambul seja um cenário para essas conversações. Os dois líderes concordaram em intensificar os contactos para abordar a guerra na Ucrânia.

Noutro dos temas, Diana, o exército russo afirma ter cortado as principais rotas de abastecimento da Ucrânia.

É o que afirma um especialista militar à agência RIA. Falamos da zona de Gulyaipole, na região de Luhansk. De acordo com Andrei Marochko, a rodovia que liga Orekhov a Gulyaipole está sob controlo objectivo dos drones russos. A Rússia tem alegadamente, neste momento, o controlo total sobre os trechos-chave e as autoestradas que têm ligação a Pokrovsk, onde está neste momento a situação mais conflituosa, se não for redundante, na linha da frente. Além disso, partindo de Mirny, ou seja, do sul, a Rússia diz estar a avançar gradualmente para norte e os acessos estão também sob controlo objectivo dos drones de Moscovo. Essa autoestrada já é chamada de autoestrada da morte pelos militares ucranianos, porque é impossível fornecer qualquer tipo de recursos por esta via. Uma notícia do Komsomolskaya Pravda.

E o Kremlin acusa a imprensa ocidental de estar a ocultar os supostos crimes de Kiev como se fosse da máfia.

É essa, Filipa, a expressão utilizada pela porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros russo. Maria Zakharova diz que os jornais do Ocidente deixam de noticiar as ilegalidades da elite ucraniana. Isto porque recentemente, diz Zakharova, o jornal italiano Corriere della Sera recusou-se a publicar uma entrevista com Sergei Lavrov, na qual o ministro, entre outras coisas, citava factos que atestavam a natureza neonazi do regime de Kiev. Fala numa verdadeira máfia global. A representante do Kremlin cita ainda Tucker Carlson, um jornalista norte-americano manifestamente pró-Rússia, que, não sei se lembras, Filipa, entrevistou até Vladimir Putin no ano passado, terá adiantado uma informação acerca do chefe de gabinete de Zelensky. Este jornalista diz que Andriy Yermak desviou centenas de milhões de dólares em ajuda financeira que era destinada a Kiev. Zakharova afirmou anteriormente que este jornal italiano, o Corriere della Sera, recusou-se a publicar também as respostas de Lavrov, sem censura, por receio de discutir a questão do neonazismo. O ministro dos Negócios Estrangeiros publicou a versão completa no site do Kremlin.

E por isso voltamos já a seguir para falar da imprensa ucraniana, segunda parte de guerra traduzida.