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Francisco O'Neill, que está agora em direto neste jornal. Bem-vindo, obrigada por estar conosco. Para o Chega tem de haver consequências políticas antes do fim desta investigação judicial.
Antes de mais, muito obrigado pelo convite. Logicamente, tem que haver consequências políticas. Por quê? Aqui não está em causa apenas e só, logicamente, uma acusação, mas também uma situação ética. Nós estamos a falar de um arguido, o presidente da Câmara Municipal de Oeiras, que já tem cadastro, já foi condenado com pena de prisão efetiva, transitada em julgado, por branqueamento de capitais e fraude fiscal. Sete anos de prisão, cumpriu dois anos e pouco. É uma pessoa que, todavia, se safou, entre aspas, dos restantes crimes, uma vez que foram prescritos, e que não dignifica, logicamente, qualquer instituição municipal. Com este despacho de acusação, que perentoriamente refere circunstâncias gravosas, tem indícios bastantes realmente de cumplicidade criminosa, neste caso, eu penso que está-se aqui a cometer um ato que devemos honrar relativamente ao Ministério Público, porque é preciso realmente varrer Portugal desta corrupção política.
E esta moção de censura do Chega conta com o apoio de outros partidos da oposição na Câmara de Oeiras?
Infelizmente, não. É sempre o Chega que dá o primeiro passo. Contudo, nós estamos expectantes relativamente à votação dos outros grupos políticos, que certamente também se irão manifestar com desagrados, mas na altura da votação vamos ver realmente quem é quem. Aqueles que efetivamente têm coerência relativamente a uma situação que não dignifica a autarquia de Oeiras, nem os munícipes, e aqueles que muitas das vezes criticam, mas quando chega a altura da verdade ou vão pra abstenção, ou então votam contra.
Sendo que Isaltino Morais venceu as autárquicas com maioria absoluta, portanto, esta moção de censura está à partida condenada ao fracasso, mas é de qualquer modo um sinal político que o Chega não abdica de dar. É isso?
Exatamente. Nós não abdicamos de dar por um motivo. Acima de tudo, e temos também que ter em atenção a presunção de inocência que impere em qualquer processo judicial. Contudo, esta moção de censura vai além da vertente jurídica, é também em razão da ética em si, que é mais do que a juridicidade em si da norma. É uma pessoa que não oferece garantias pelo seu historial, é uma pessoa que já foi presa, é uma pessoa que já foi condenada até várias vezes no Tribunal de Contas pela sua gestão e é alguém que não oferece credibilidade, nem tem vocação pública para gerir o dinheiro público de quem quer que seja.