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Boa noite. Começa agora mais um Sem Falta, como sempre, com o árbitro Pedro Henriques. Pedro, boa noite.

Boa noite.

Analisamos esta noite o Sporting Santa Clara, que terminou com a vitória dos Leões por 2 x 1, e essa garantia da presença na final da Taça da Liga. Conhecemos primeiro a equipe de arbitragem. O árbitro foi António Nobre, que teve como assistentes André Campos e também Pedro Felisberto. O quarto árbitro foi André Narciso e, no VAR, estiveram Nuno Almeida e também o Nelson Pereira. Pedro Henriques, vamos aos lances em análise. Começamos no minuto 23. Esgaio vê um cartão amarelo depois de uma falta sobre Lincoln. Foi bem mostrado?

Sim, este cartão amarelo foi bem mostrado. O Esgaio agarrou o seu adversário. Normalmente, estes comportamentos de agarrar, ou seja, utilizando as mãos, que é algo que não se pode usar no futebol, estão inseridos nos chamados comportamentos antidesportivos e por isso o árbitro vem aqui punir o jogador do Leonino com cartão amarelo.

Um minuto depois, Anderson Carvalho, do Santa Clara, também é amarelado por uma falta sobre Pedro Gonçalves. Aqui também é uma boa decisão?

Não, para mim não é uma boa decisão. Para o árbitro, a boa decisão era a que ele ia tomar inicialmente, porque ele apitou a falta e não ia dar cartão amarelo, mas depois os jogadores do Sporting acabaram por rodeá-lo. Houve ali, de certa forma, alguma pressão e ele, se calhar, na dúvida daquilo que estava ainda a decidir na cabeça dele, acabou por mostrar o cartão amarelo. Só que mostrou ao jogador errado. E depois o vídeo-árbitro teve que intervir, porque faz parte do protocolo de vídeo-árbitro, a chamada troca de identidades. Sempre que o árbitro mostra um amarelo ou um vermelho a um jogador errado e que o vídeo-árbitro vai rever o lance e vê que quem fez a falta, como foi o caso, foi o Anderson Carvalho, ele estava a mostrar ao outro jogador. E, portanto, o vídeo-árbitro chamou a atenção do árbitro. Neste caso, sendo uma situação factual, não é preciso ir ao monitor, é só aceitar o que diz o vídeo-árbitro. E, portanto, ele mostrou o cartão amarelo e depois, de forma incorreta, ao Anderson Carvalho. Incorreta, porque, na minha perspectiva, é um empurrão nas costas, ainda relativamente longe da área, numa disputa de bola e, portanto, não havia, no meu ponto de vista, necessidade, não havia uma infração negligente, apenas imprudente. Resumindo e concluindo, o cartão amarelo, para mim, foi mal mostrado. O fator, no fundo, de alguma maneira, da dúvida que o próprio árbitro teve foi por ter assinalado a falta. Não ia mostrar cartão, sofreu aquela pressão e a seguir mostrou e, obviamente, mostrou ao jogador errado.

Aqui um desses casos em que o árbitro deveria quase ter seguido o instinto. Minuto 30, discutimos aqui o livre em que resultou o gol do Santa Clara. Foi bem assinalada esta falta de Ugarte sobre Ricardinho?

Sim. Nós trouxemos aqui este lance exatamente por causa disso, porque se fosse uma falta que não resultasse em nada, nem sequer falávamos, mas como resultou em gol, é sempre bom pelo menos ter esta perspectiva de se realmente a falta existiu. E existiu. É uma falta cometida por trás, uma rasteira. O Ugarte, na tentativa de chegar à bola, não consegue e acaba por rasteirar o Ricardinho e, portanto, livre direto bem assinalado. E como disseste, e bem, a partir deste livre direto, depois nasceu o gol da equipe do Santa Clara.

Avançamos para o minuto 35. Crisan vê um cartão amarelo por derrubar Nuno Santos. Bem mostrado?

Não, para mim também mal mostrado. É um choque absolutamente normal. Ainda tentei perceber pela repetição se tinha havido ali algum pisão, alguma entrada a nível de pernas. Não, o contato é todo feito na parte superior. Realmente, ele vai à corrida, vai tentar chegar à bola, não consegue, choca com o adversário, ele cai. É falta, sim, porque realmente é uma carga incorreta, mas mais do que isso, não. E o árbitro aqui, no meu ponto de vista, não acertou em ter mostrado de novo o cartão amarelo.

Minuto 37, o Esgaio tem um gol anulado por fora de jogo. É uma boa decisão?

Sim, é uma boa decisão. Este gol, percebe-se claramente até a olho nu, como eu costumo dizer, portanto, sem linhas, que o Esgaio estava claramente adiantado no momento em que o Palhinha fez o passe. Portanto, é bom relembrar que o conto é o momento do passe e por isso o árbitro assistente bem anulou o gol, o vídeo-árbitro confirmou.

E depois começamos a segunda parte como acabamos a primeira, com o gol anulado para o Sporting, desta vez Tabata também por fora de jogo. Aqui também houve uma boa decisão?

Uma boa decisão tomada pelo árbitro assistente, que tanto neste lance como no outro, cumpriu o que está estipulado. Esperou que a jogada terminasse para depois levantar a bandeirola, porque caso tivesse errado, o árbitro poderia, portanto, reconsiderar a situação e ainda validar o gol. Mas neste caso, o árbitro assistente, uma vez mais, acertou na decisão. Também a olho nu se percebe claramente que no momento do passe, o Tabata está adiantado em relação ao penúltimo adversário, portanto, mais uma boa decisão, neste caso, da equipe de arbitragem, mais concretamente do árbitro assistente, que deu uma correta indicação de fora de jogo ao Tabata.

Avançamos para o minuto 59, é o pontapé de pênalti que dá o gol do Sporting, que surgiu também com a intervenção do VAR, que assinala essa mão de Rui Costa. Foi uma boa atuação do VAR, neste caso?

Aqui temos duas coisas para distinguir: o pênalti e o cartão vermelho. Não é por acaso que o pênalti foi assinalado. Aliás, a situação ocorreu no minuto 59 e o Saravia executou o pênalti ao minuto 65. Portanto, passaram seis minutos, dos quais cinco foi para a questão do árbitro tomar a decisão, ir ao monitor. Isto é, o VAR estar a ver, depois chamar o árbitro, o árbitro ir ao monitor e depois tomar a decisão. Por que demorou tanto tempo? Não foi pela questão técnica do pênalti, porque com as repetições, percebe-se logo que realmente o Rui Costa, ao levantar a perna direita e também levanta o seu braço direito completamente fora do plano do corpo, ganha uma volumetria anormal e coloca o braço num sítio que não é normal para o movimento e o gesto que está a fazer e, portanto, intercepta a bola.

Que a questão era ser cartão vermelho.

Exatamente. Pontapé de pênalti bem assinalado. A questão aqui coloca-se na disciplina. O árbitro entendeu, conjuntamente com o vídeo-árbitro, que se tratava de anular uma clara oportunidade de gol, porque a lei é muito clara e este é o momento que a gente demora assim um bocadinho, mais para explicar, mas é muito rápido, que é: quando o jogador joga a bola com a mão, uma de duas coisas pode acontecer. Impediu a equipe de marcar um gol, isto é, a bola ia mesmo para a baliza, ou anular uma clara oportunidade de gol. E aqui, anular uma clara oportunidade de gol significava que a bola nem sequer ia para a baliza, mas o mesmo jogador ou outro colega qualquer Poderia ainda marcar golo caso a bola não tivesse sido acertada com a mão. Ora, aquilo foi um cabeceamento e só com algumas imagens, depois é que se consegue perceber que a bola ia para fora da baliza. Ia sair pela linha de baliza, seria pontapé de baliza. Portanto, não há uma clara oportunidade de golo, porque na realidade, o cabeceamento era a jogada terminal. Já mais ninguém iria interferir na jogada para tentar fazer o golo. Ao mesmo tempo, não anula um golo porque a bola não ia para a baliza. E é aqui que o cartão vermelho não se insere. Era preciso estar inserido numa destas duas situações que não acontece. As imagens que o VAR deu, e é bom relembrar isso, são aquele momento em que o árbitro vai ao monitor e que estamos a ver as repetições e as imagens que o VAR dá, são diretamente injetadas pela cidade do futebol no sinal da operadora, o que significa que aquilo que o árbitro está a ver naquele momento é aquilo que nós estamos a ver em casa. Não há ali outras imagens que ele esteja a dar ao árbitro que nós não estejamos a ver, são aquelas. E aquelas foram escassas. Aquelas mostram bem a mão, mas mostram mal o enquadramento com a baliza. E é preciso uma câmera de ângulo inverso, que depois a própria operadora, no programa que tem pós-jogo, conseguiu passar, obviamente, mas de certa forma, com algumas repetições também da televisão, que a própria regi fez a opção de colocar no ar enquanto se ia esperando, dava para perceber que a bola não ia para a baliza. E portanto, aqui há uma falha, no meu ponto de vista também do VAR, que acertou no pênalti, mas também na imagem que está a proporcionar ao árbitro para tomar a decisão, porque aquelas imagens que se mostram, fica-se muito na dúvida. E eu, propriamente dito, no direto, em que estamos a fazer aqui na Rádio Observador, aceitei como bom o cartão vermelho.

E para clarificar, Pedro Henriques, aqui é os árbitros que estão em carregos do VAR que decidem as imagens que o árbitro principal tem acesso.

Claro. No máximo, o árbitro tem que ser relativamente rápido. Não pode estar ali a pedir as imagens todas. No limite, o árbitro pode achar insuficiente, se tiver essa capacidade, e dizer claramente ao Nuno Almeida: "Nuno, esta imagem é pênalti, é claro, tu estás me a dizer que é vermelho, que a bola vai para baliza, mas eu não tenho a certeza. Não tens uma imagem melhor? Não me dás uma outra câmera que me permita ter a certeza se a bola vai para a baliza ou não?" Agora, vamos lá ver uma coisa. É bonito a gente estar a falar aqui de fora, mas lá dentro aquilo é uma grande pressão. E o árbitro parte do princípio que o VAR, com mais tempo, mais calma, sentado na cidade do futebol, consegue ver a imagem e trazer logo a imagem que é melhor. Portanto, ele pressupõe que não há imagem melhor do que aquela para tomar a decisão. Terminando este lance. Pênalti, sim, claro, evidente, não há aqui segundas leituras. Em relação ao cartão vermelho, percebendo a decisão que o árbitro toma em função da imagem que lhe é proporcionada. Eu próprio, no direto, fiquei com a ideia que o vermelho era correto, mas não é. Portanto, eu diria em termos de rumo, pênalti, sim, correto, vermelho, não, incorreto.

Aqui também nota para os árbitros que estavam em carregos do VAR. Avançamos para o final do jogo, aos 98 minutos, há dois cartões amarelos, um para Paulo Henrique e também para Gonçalo Esteves, aqui com alguma confusão entre os dois jogadores.

Sim, mas bem mostrado. O Paulo Henrique, pela falta que faz propriamente dita, vai persistindo, vai nas costas, enquanto o Gonçalo Esteves estava a tentar driblar e driblou ali vários jogadores. E o Gonçalo Esteves, porque depois de sofrer a falta, por muita razão que tenha, e o árbitro já assinou, não pode reagir. E portanto, há um comportamento antidesportivo associado à reação do jogador para com, neste caso, o Paulo Henrique. E por isso o cartão amarelo foi bem mostrado a ambos os jogadores.

Pedro Henriques, resumindo, temos aqui dois gols bem anulados, a situação também dos dois cartões amarelos logo no início do jogo que consideravas que não deveriam ter sido mostrados. Também aqui a questão do cartão vermelho. Falta perceber qual é a nota para a equipe de arbitragem de 0 a 10, quanto vale esta atuação de António Nobre.

Eu vou dar cinco, olhando para o lado positivo, para justificar um pouco também esta nota. É exatamente como disseste, os gols anulados e, na prática, o pênalti que acaba por ter impacto, que faz o 2 x 1. E portanto, embora aí com ajuda do vídeo árbitro, mas o fato é que são três decisões importantes, dois gols anulados e um pênalti assinalado, que é correto. Do lado negativo, os dois cartões amarelos, pormenor, porque se algum dos jogadores fosse expulso aí teria mais impacto, por acumulação, mas sobretudo a questão do lado negativo a pender, que é a questão do cartão vermelho, que obviamente uma equipe 11 contra 10 é sempre diferente. E portanto, é por isso que fica aqui no meio-termo entre aquilo que é o balanço da parte positiva com impacto no jogo, dois gols anulados e um pênalti, mas o lado negativo, porque também tem impacto no jogo, uma equipe a jogar com 10, porque para mim o cartão vermelho foi mal mostrado. Nota 5 para a equipe de arbitragem liderada por António Nobre.

Nota 5, essa positiva mínima nesta nossa classificação do Sem Falta de 0 a 10. Obrigada, Pedro Henriques. O Sem Falta está de regresso já no sábado, nessa final da Taça da Liga entre o Sporting e o Benfica.

Obrigado, Ana.

Rádio Observador