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Vamos a mais um Semáforo Político, o último da semana. O editor adjunto de política do Observador, Miguel Santos Carrapatoso, junta-se à Judite França e ao Bruno Vieira Amaral. A nossa convidada de hoje é a líder do PAN, Inês de Sousa Real, a porta-voz do PAN. Vanessa, o sinal está verde. Aproveita.

O PAN tem sido notícia nesta reta final da semana, depois do artigo que André Silva escreve hoje no Público, com duras críticas à atual direção. Diz o antigo porta-voz que é por causas internas que o partido teve um mau resultado eleitoral. Inês de Sousa Real, bem-vinda ao Semáforo Político. Como é que recebeu estas críticas de André Silva, que chega mesmo a dizer que quem não sabe dançar coloca as culpas na sala? Se quiser aproveitar para sinalizar essas declarações com uma cor de semáforo, esteja à vontade.

Antes de mais, muito boa tarde. Obrigada pelo convite. Eu acho que são declarações que denotam um semáforo avariado, porque é uma forma de estar na política com a qual não me revejo, se revê esta direção. Acho que é trazer a forma costumeira de reação e até de alguma forma oportunística, porque André Silva deixou o partido há mais de sete meses. Aliás, optou por deixar a meio o mandato na Assembleia da República por não se candidatar a congresso. Esta direção foi eleita democraticamente no congresso há apenas sete meses. Tivemos de atravessar dois atos eleitorais e de pegar num navio já em andamento. E André Silva esqueceu-se de fazer autocríticas em relação àquele que também foi o estado em que deixou a sala. Portanto, não me parece que efetivamente seja esta a forma que os nossos eleitores, nem os nossos filiados e simpatizantes esperam que seja feito o debate político em torno daquilo que tem que ser o ajustar e a reflexão do ponto de vista da estratégia política do partido, porque conforme eu tive a oportunidade de dizer na noite eleitoral, é evidente que nós temos que refletir, não apenas o PAN, mas todas as forças políticas em democracia.

Inês de Sousa Real, mas se como diz Bibiana Cunha, que foi ouvida hoje também pela Rádio Observador, a sua ainda líder parlamentar. Ela diz que quem deixou a sala torta foi André Silva e estamos a ouvir Inês de Sousa Real também a dar aqui a indicação de que o antigo líder deve fazer essa reflexão. Isso quer dizer que Inês de Sousa Real não foi capaz de endireitar a sala?

Não, nós temos apenas sete meses de liderança, recordo, interrompida até por dois atos eleitorais, ou seja, toda uma estratégia que temos e a emoção global de estratégia com que esta direção se apresentou a eleições em junho passado, de alguma forma teve que se reajustar, por um lado, a este contexto com que o país vive, mas por outro, ainda não temos tempo de pôr em prática aquilo que é a nossa visão para o partido nem para o país. Pese embora já tenhamos dado passos muito significativos, eu recordo que o último congresso foi um congresso aberto, fortemente participado pelos filiados, que tinha sido até uma crítica feita ao tempo da liderança de André Silva, aliás, que mesmo antes de sair tinha fortes acusações da forma autocrática como geriu ao partido, bastante fechada. Portanto, nós procuramos precisamente empregar uma direção mais empática, mais aberta à participação. Nota disso também foi a forma como construímos os nossos programas eleitorais, quer para as autárquicas, quer para as legislativas, fortemente aberto à comunidade e não apenas ao próprio partido. E tudo leva o seu tempo. Ninguém reconstrói uma casa em sete meses e portanto precisamos de tempo para poder empregar aquilo que é a nossa visão para o partido. E precisamos também de responsabilidade, não apenas de quem decidiu cá ficar e quotidianamente trabalhar em prol do partido, porque não alinhamos em sebastianismos. Ou seja, é muito fácil agora vir criticar aquilo que foi o trabalho feito por esta direção, depois de as pessoas terem desaparecido, terem ido à sua vida e não se terem sequer prestado a apoiar, a colaborar, a passar a pasta ou tão pouco sequer a aderir e a emprestar qualquer tipo de apoio durante as campanhas ao partido. E até recordo que nas presidenciais foi pela mão de André Silva que nós não tivemos uma candidatura própria, o que na altura até internamente mereceu algumas críticas, inclusive a de mim própria, que acho que foi um erro estratégico o partido não ter uma candidatura própria às presidenciais.

Inês de Sousa Real, Miguel Carrapatoso do Observador. Deixe-me ainda assim perguntar, vejo que responsabiliza André Silva em parte pelo estado em que deixou a casa do PAN. A verdade é que herdou uma casa com quatro deputados e neste momento o PAN só tem um. Assume responsabilidades por isso mesmo, vai auscultar o partido, vai perceber se o partido ainda a apoia?

Conforme eu tive a oportunidade de dizer na própria noite eleitoral, é evidente que nós temos que internamente fazer uma reflexão do que é que falhou na nossa comunicação, até porque o PAN tem uma mensagem diferenciadora, disruptiva. Eu recordo que muitas das vezes as pessoas têm alguma dificuldade em compreender quando não nos categorizamos nem na esquerda nem na direita, e isso não pode traduzir-se na confusão que depois gerou das pessoas acharem que o PAN estava disponível para apoiar qualquer direita ou qualquer solução governativa.

Aliás, André Silva chega mesmo a dizer que o PAN foi afilhado do PS nas autárquicas e que passou depois a porta-estandarte no orçamento do Estado. E depois disso ainda quis dançar também com o PSD.

Eu recordo que André Silva foi quem precisamente não soube reconhecer uma única crítica à governação de António Costa e do Partido Socialista. E o PAN tem sido, pela nossa voz, uma forte oposição, quer naquilo que tem sido a gestão do ponto de vista de processos desastrosos, como foi o caso do Ministério da Administração Interna, na proteção animal, também na questão ambiental. Nós temos estado não só de norte a sul do país a visitar, e inclusivamente agora com estas notícias recentes do lítio, o PAN foi o primeiro a ir ao local contestar junto da população a defesa da serra d'Arga ou opor-se contra os contratos de prospecção e exploração do lítio. Nós temos sido, de facto, uma voz ativa naquilo que tem sido uma oposição ao governo, mas também uma voz responsável naquilo que tem sido fazer avançar as nossas causas.

Inês de Sousa Real, deixe-me só...

Acho que são críticas justas.

Deixe-me só aqui fazer uma breve nota, porque percebe-se da forma como falou de André Silva, de quem disse que nem sequer passou a pasta, que isto foi uma cisão muito diferente daquela que passou para o público, de que André Silva tinha abraçado o projeto da paternidade e por isso tinha deixado a liderança do PAN. Afinal de contas, o que é que aconteceu?

Eu acho que essa questão só o próprio poderia explicar, porque entra em contradição com aquilo que afirmou lá atrás. E o próprio deu como justificação para a sua saída o ter abraçado um projeto de paternidade, o que teríamos evidentemente que respeitar. Se de lá para cá optou por não se envolver, por não participar, pese embora o partido e em todos os atos que tivemos, todas as ações de rua, todas as campanhas, demos nota a todos os filiados daquilo que estávamos a fazer nas ruas.

Mas Inês de Sousa Real convidou diretamente André Silva para participar na campanha? É que ele neste artigo até usa um ditado popular, diz que: "à boda e ao batizado não vais sem ser convidado."

Todos os filiados, sem exceção, foram convidados e não tenho que convidar pessoalmente, de ir fazer destrinça entre filiados, porque não há filiados de primeira, nem de segunda no partido.

Portanto, houve uma mensagem geral para todos, um e-mail, um convocatório geral.

Houve uma mensagem geral para todos, mas recordo também aquilo que já tive a oportunidade hoje de esclarecer, que desde o primeiro momento em que assumi que ia ser candidata ao partido, eu tive a seriedade de dizer de forma direta a André Silva que me ia candidatar, mesmo sabendo que ele não o ia fazer. Portanto, eu usei sempre de correção para com o mesmo. Acho profundamente lamentável que ele tenha optado por seguir este caminho. Acho que é um caminho que não nos eleva enquanto partido. Não é isso que os nossos eleitores esperam do PAN. Esperam, de facto, um caminho diferente. E estando há sete meses na liderança e sendo até pela primeira vez uma liderança no feminino, que não só vem enriquecer o partido, mas também a nossa democracia, porque temos apenas até hoje cinco mulheres a liderar partidos, não me revejo de forma nenhuma nesta forma de fazer política e já antes de estarmos no Congresso, já existiam cartas anônimas, já existiam golpes palacianos, informação a ser passada de órgãos cá para fora. Portanto, eu e esta direção não nos revemos nesta forma costumeira de fazer política. Achamos que o partido tem que ter um rumo diferenciador, mas também que faça parte daquilo que é o seu ADN, que é um partido de profundo respeito pela empatia, pelas pessoas, pela construção de um mundo mais justo, seja social, seja ambientalmente ou de respeito por todas as formas de vida. E isto que André Silva hoje fez, em nosso entender, em nada eleva nem o trabalho que ele fez, porque teve um trabalho muito importante no partido, nem também aquilo que poderia ser um legado que poderia deixar-nos.

Mas essas cartas anônimas foram de André Silva?

As cartas anônimas partiram de várias fontes, por serem anônimas não sabemos de quem são, mas há traços comuns que nós todos sabemos reconhecer e identificar nas cartas e, portanto, há claramente aqui uma jogada interna de quem não se identifica e não dá a cara, e agora, pelos vistos, surgem algumas vozes dissonantes. Uma coisa é certa, eu sempre dei a cara por aquilo que acredito e apresentei-me a Congresso com a direção que me acompanha, com sentido de missão e forte comprometimento. Sabíamos que não ia ser fácil aquilo que nos esperava, tendo em conta não só a circunstância política do país, de uma crise socioeconômica profundíssima, de uma crise sanitária, e que antevíamos já, aliás, eu tive a oportunidade de referir isso no debate em torno do orçamento de Estado, que íamos ter uma crise democrática com retrocessos, como acabamos por verificar que se comprovaram, como é o caso de termos hoje o Partido Socialista com uma maioria absoluta e termos tido forças políticas da extrema-direita, da extrema populista antidemocrática, a crescer na Assembleia da República. Portanto, tudo aquilo que antevíamos veio a se verificar. E com retrocessos até para a causa ambiental.

Inês de Sousa Real, deixe-me só interrompê-la. É verdade que deu a cara pelo projeto nestas eleições, mas há pouco acabou por não responder à minha pergunta. Deu a cara pelo partido nestas eleições e perdeu três deputados. Vai colocar o seu lugar à disposição e pedir ao partido que a reconfirme na liderança do PAN?

Aquilo que vou promover é um debate interno para ouvir os filiados, para perceber o que é que as pessoas querem efetivamente para o futuro do partido. Eu sabia que não ia ser um desafio fácil e, portanto, não vou desistir nem pôr o lugar à disposição sem ouvir os filiados. E portanto, não é porque vem meia dúzia de pessoas agora de forma oportunística fazer estas afirmações ou acusar e apontar dedos sem sequer terem uma capacidade de autocrítica, que vou de facto pôr em causa um projeto tão importante como é o projeto PAN para o país, porque há um antes e um depois do PAN na Assembleia da República. Há um antes e um depois do PAN na nossa sociedade. Quando o PAN foi fundado em 2011, eu recordo, ficamos a cerca de 3 mil votos de conseguirmos eleger logo pela primeira vez um deputado à Assembleia da República. E de lá para cá temos feito muita diferença. E portanto, irei ouvir e serei a primeira a promover este debate interno. Agora, fui eleita pelos portugueses para a Assembleia da República, o PAN garantiu esse mandato. Temos que ter condições para exercer este mandato e temos que estar focados e unidos naquilo que é fazer avançar os nossos projetos.

Depreendo pelas suas palavras que não há avarias na direção do PAN, o seu semáforo é averiado para André Silva. Nós temos aqui também o nosso painel que também quer atribuir semáforos sobre esta matéria. A Judite de França, tu tens um amarelo para o antigo líder do PAN.

Tenho um amarelo porque acho que vir dar estas guidelines depois das eleições é fácil. Costuma-se dizer que o Totobola à segunda-feira é fácil de acertar. Eu não retiro do que disse André Silva, mas estranho o timing. E estranho que André Silva também não olhe para a avaliação que é feita do seu tempo, porque a avaliação que é feita nestas eleições não é só dos últimos sete meses. Acho que o PAN foi prejudicado por uma série de fatores, nomeadamente internos, não sei se de comunicação, se de princípio interno, mas falando daquilo que é a análise ao trabalho do PAN, eu diria que os eleitores olharam para isso agora. O que eu também estranho é que se os resultados tivessem sido bons, André Silva, como membro do partido, também não devia ter avisado para o que estava mal, ou seja, não podia discordar do rumo, mesmo que os resultados eleitorais fossem bons.

Nunca falou com André Silva neste período, Inês de Sousa Real?

O próprio afastou-se da vida partidária, não compareceu em momentos do partido, quer nos atos eleitorais, quer nos eventos que fizemos. As pessoas fazem opções. Volto a dizer, lamento, porque acho que todos nós temos que saber lidar com as diferentes fases do partido, inclusive com o crescimento do partido e com aquilo que são novos rostos, novas equipas, novas dinâmicas. E acho que André Silva teve um papel importante no partido enquanto deputado único, mas, de facto, devemos saber também continuar com a elevação no momento de sair, tanto assim quanto temos no momento em que cá estamos a representar o partido. Agora, o PAN não se esgota nem em André Silva, nem em Inês de Sousa Real, nem nos nossos fundadores. O PAN é um projeto superior e que está acima de todos nós e aquilo que temos que saber é ter a responsabilidade de nos respeitarmos mutuamente. Isto não significa que não haja divergência de opinião política, nem pluralidade democrática. Não tem que haver unanimismo. O debate tem que haver do ponto de vista interno, porque só assim conseguimos fazer crescer o partido. Vir agora comentar ou criticar depois deste resultado é muito fácil. Difícil é levar o barco e difícil é tentarmos reerguer o partido depois de toda a confusão que houve nos últimos anos, inclusive com a perda de um eurodeputado e de uma deputada, que trouxe dano ao partido, evidentemente, e temos que saber reconhecer e temos que aprender com estas lições para que no futuro isso não aconteça.

Inês de Sousa Real, Bruno Vieira Amaral também tem aqui um sinal amarelo, tal como a Judite França, não só para esta questão do André Silva, para estes ajustes de contas pós-eleitorais, mas também Boaventura Sousa Santos versus Bloco de Esquerda. Tens aqui duas áreas.

Sim, eu até diria que se calhar é um sinal verde, porque eu enquanto espetador do espetáculo político, gosto muito destes períodos pós-eleitorais em que se começam a desembainhar as espadas e os punhais, que se percebe agora que já estavam a ser afiados há muito tempo. Nos partidos grandes, estas crises geralmente assumem outra dimensão, mas nos partidos mais pequenos, às vezes as crises até são mais assanhadas. É o caso do PAN, mas tivemos o caso do Boaventura Sousa Santos, que não pertence à direção do Bloco, mas é uma figura de peso nesta área política, que exigiu a demissão de Catarina Martins e que motivou uma resposta dura de Fernando Rosas. No caso do PAN e do André Silva, que eu digo novamente, acho estranho ter estado ausente da campanha, e o que se percebe é que ele não terá sido mesmo convidado, mas também não teria muita vontade de participar na campanha. E depois motiva também esta resposta de Bianca Cunha a acusar o anterior porta-voz do partido de ser também responsável pelos resultados e pelo estado em que deixou o partido. No caso do PAN, ao contrário do que acontece no BE, que é um partido mais resiliente, eu acho que isto pode pôr mesmo em causa a sobrevivência do partido, que vai apenas para a terceira legislatura com representação parlamentar. E esperava-se, eu pelo menos enquanto observador desta situação, que um partido da dimensão do PAN fosse mais coeso, fosse mais homogêneo, não tivesse este tipo de crise em que o anterior líder aparece logo depois das eleições a criticar a atual direção. Mas afinal parece que temos aqui, também como acontece noutros partidos, um saco de gatos.

Isso normalmente é sinal de crescimento de um partido.

São as dores de crescimento.

Em dificuldades está também o PSD. Miguel Santos Carrapatoso, tens um sinal verde para Rui Rio, que no fundo, desimpediu agora a estrada social-democrata.

É um pouquinho para marcar o contraste em relação à decisão de André Silva e ao que escreveu o porta-voz do PAN no Público. O Rui Rio decidiu acabar com um mini tabu que se vinha gerando e dizer definitivamente que não é recandidato à liderança do PSD. A meu ver, tomou a decisão certa de não sair logo, porque sair logo era de facto deixar o partido entregue à sua própria sorte. Definiu um prazo que me parece razoável, até o verão. Se quiserem antecipar, ele estará disponível para ir embora mais cedo. Mas finalmente foi claro em relação ao que quer. Quer sair, negou ter qualquer vontade de influenciar a escolha do próximo líder e acho que é uma saída, depois daquela conferência de imprensa no dia 30 de janeiro, no domingo da noite eleitoral, que foi uma conferência de imprensa bastante confrangedora. Finalmente temos Rui Rio, pelo menos a sair com alguma dignidade e acho que faz bem e o PSD tem que virar a página rapidamente. É uma saída que dá ao PSD esse tempo e esse espaço para discutir o próximo líder.

Quem não quer sair, pelo que percebemos neste semáforo político da liderança do PAN, é a Inês de Sousa Real. Inês de Sousa Real, tenho aqui a indicação de que também teria outras cores de semáforo para atribuir, se quiser, muito rapidamente.

Sim, só uma breve nota. Eu, evidentemente, estou disponível para continuar a levar este projeto para a frente, mas no dia em que os filiados do PAN não me quiserem aqui neste projeto político e a reflexão interna será feita, eu continuarei nas causas que acredito, no associativismo, na vida ativa enquanto ativista, porque não deixarei de lutar por aquilo que acredito e não preciso da política para de facto defender aquilo que são os meus ideais. Em relação aos semáforos políticos, de facto, há aqui um tema que não posso deixar passar ao lado, que tem a ver com a exploração do lítio. E ainda hoje tivemos a oportunidade de ouvir o ministro do Ambiente dizer que o projeto de prospecção e de exploração é um projeto banal. Eu acho que isto merece um sinal laranja intermitente, porque não podemos chamar de uma intervenção que põe em causa várias áreas e ecossistemas, habitats naturais, põe em causa também a qualidade de vida das populações, que não deve ser de forma nenhuma encarado como um projeto banal. Acho que de facto merece um sinal destes, porque apesar de termos conseguido proteger a serra d'Arga e de evitar que houvesse prospecção nessa zona, porque está em vias de classificação como patrimônio de paisagem protegida, há outras áreas também igualmente relevantes, nomeadamente na Covilhã e no Fundão, como a serra da Argemela. Temos que ter de facto cuidado com aquela que é a transição energética, sob pena de estarmos aqui sobre a nova solução do presente ser o problema do futuro, e não podemos olhar para a exploração do lítio de forma desarticulada com os planos de ordenamento do território.

Entretanto, o ministro do Ambiente promete reuniões na próxima semana com os autarcas das regiões envolvidas. São seis áreas de prospecção de lítio. Inês de Sousa Real, agradeço-lhe ter estado no semáforo político de hoje. Já não temos mais tempo. E nós voltamos para a semana, na segunda-feira. Até lá.