Presidente do Eurogrupo

Centeno é um “rato que não ruge”, para o jornal alemão Handelsblatt

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Jornal Handelsblatt defende que Centeno, tal como o seu antecessor, Dijsselbloem, vai fazer aquilo que lhe mandam, nem mais nem menos. Mais importante para o euro é o próximo ministro alemão.

OLIVIER HOSLET/EPA

Mário Centeno será um “rato que não ruge“, enquanto presidente do Eurogrupo, acredita o jornal alemão Handelsblatt, que acrescenta que bem mais importante do que a eleição de Centeno, para o futuro do euro, é saber quem será o próximo ministro das Finanças da Alemanha. “Dijsselbloem nunca teve qualquer voz decisiva no Eurogrupo, nem Centeno irá ter. Nos últimos anos, sempre foi o ex-ministro das Finanças, Wolfgang Schäuble, a definir aquilo que os ministros do Eurogrupo decidiam”.

“O Sr. Centeno não irá fazer mais do que presidir às reuniões do Eurogrupo e serão os ministros das Finanças da Alemanha e de França a decidir o que acontece na zona euro”, escreve o Handelsblatt, o principal diário financeiro da Alemanha. Ainda assim, na newsletter diária do jornal, o diretor da publicação, Gabor Steingart diz que a notícia da vitória de Centeno terá sido bem recebida na Grécia — “ouzo para todos”, escreve Steingart, em alusão a uma bebida alcoólica muito popular na Grécia.

Steingart lembra que um académico que não conseguiu a nomeação para liderar o centro de estudos do Banco de Portugal “por não ter as qualificações necessárias” — um caso que ainda hoje será uma pedra no sapato na relação entre Mário Centeno e Carlos Costa, o governador do Banco de Portugal — vai, agora, liderar a coordenação de políticas económicas e resgates públicos multi-milionários.

A verdade, contudo, escreve o Handelsblatt, é que Centeno irá liderar muito pouco. O holandês Jeroen Dijsselbloem, que liderou o Eurogrupo nos últimos anos, era ministro de um governo trabalhista, de centro-esquerda, mas isso não o impediu de assumir como suas as opiniões de Schäuble em temas quentes como o resgate à Grécia. Mas voltou a ser nomeado um ministro de um país pequeno, como é regra e porque “permite que não seja tão óbvio que são, na realidade, os países maiores a mandar nas políticas”.

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