Vladimir Putin

Russos perdem corrida no Espaço, mas “têm mais talento” que americanos

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Parece que os papéis se inverteram. Desta vez, os russos ficaram tão surpreendidos com o lançamento do Falcon Heavy como os americanos ficaram com o primeiro voo espacial de Iúri Gagarin.

O êxito do lançamento do Falcon Heavy não só mostra o início de uma nova era na conquista do Espaço, como também começa a deixar claro o atraso da indústria aeronáutica russa em relação à norte-americana.

Por isso, a partida bem-sucedida do mais poderoso foguetão do mundo foi um autêntico “murro no estômago” na indústria espacial russa, provocou comentários de preocupação entre os cientistas russos e afirmações absurdas dos políticos que já não sabem o que inventar para esconder o atraso tecnológico a que estão a condenar a Rússia.

Parece que os papéis se inverteram. Desta vez, os russos ficaram tão surpreendidos com o lançamento do Falcon Heavy como os americanos ficaram com o primeiro voo espacial de Iúri Gagarin.

Na final de um concurso “Líderes da Rússia”, Igor Chuvalov, vice-primeiro-ministro do governo russo, conhecido, entre outras coisas, pelas viagens dos seus cães de raça num jacto particular, exclamou: “Que entre vós surjam Elons Musks, que ontem mostraram a toda a Humanidade como realizaram o lançamento experimental de um foguetão pesado, entre vocês haverá criadores da Tesla e de todo o resto”.

Porém, frisou: “Estou convencido de que o povo russo tem mais talento do que o americano, que me perdoem os americanos”.

Não podia ser de outra maneira, nós estamos a perder a corrida, mas, não obstante, somos os melhores em tudo. Repetição da mais primitiva propaganda soviética que afirmava até a exaustão não ter iguais no campo do “bailado e do Espaço”.

Seria bem melhor que os políticos russos pensassem nas formas como dar um forte impulso tecnológico e científico, no lugar de continuar a consumir o pouco que resta da herança soviética.

Mas parece não se tratar do caso. O atraso irá ser maior porque, na Rússia, os projectos espaciais estão nas mãos de empresas públicas como a Roskosmos (Agênca Espacial da Rússia), com estruturas burocráticas pesadas e mergulhada na corrupção (veja-se o exemplo do novo Cosmódromo Vostok, onde foram desviados muitos milhões de dólares). Por isso não é surpreendente a reacção do porta voz da Roskosmos, Igor Burenkov, que considerou o lançamento do Falcon Heavy uma acção de publicidade na véspera da reunião dos accionistas do produtor de automóveis eléctricos Tesla.

Enquanto os dirigentes da Roskosmos têm salários milionários, os engenheiros que trabalham nas fábricas onde se construem os foguetões recebem salários de miséria. Segundo o sítio “Revista Militar”, um engenheiro russo que trabalha no ramo da astronáutica recebe mensalmente entre 220 e 300 euros. O salário mensal de um serralheiro da mesma área pode rondar os 500 euros . Os especialistas consideram que estas são algumas das razões das falhas na tecnologia espacial russa. Por exemplo, na terça-feira, foi anunciado que o lançamento do foguetão russo Proton-M, concorrente do Falcon, foi adiado pela terceira vez: para o mês de Março.

Os ricos amigos de Putin e os poucos oligarcas sobreviventes não acham necessário investir o seu dinheiro no futuro do país, mas em clubes de futebol e mobiliário luxuoso no estrangeiro. Que me recorde, apenas o magnata Mikhail Prokhorov prometeu financiar a criação de um automóvel híbrido russo que tarda em aparecer.

Em Agosto de 2017, Musk ultrapassou todas as potências espaciais tendo lançado, no ano passado, 12 foguetões, enquanto a Rússia lançou 11, a China 8 e a União Europeia 6. Os custos do lançamento de foguetões Falcon são mais baratos e a sua utilização fará baixar em cerca de 50% o transporte de mercadorias. Além disso, algumas das partes dos foguetões são recuperáveis.

Claro que ainda é cedo para tirar todas as conclusões acerca das vantagens e desvantagens do Falcon Heavy, mas é um sinal preocupante para as indústrias espaciais dos países que concorrem com Musk.

O diário digital Gazeta.ru escreve: “Sim, é verdade que a Rússia será sempre a pátria do primeiro cosmonauta da Terra e da astronáutica pilotada. É verdade que 121 cosmonautas soviéticos e russos realizaram voos espaciais. É verdade que continuamos a lançar, anualmente, quase tantos figuetõe como o mais extravagante homem de negócios americano Elon Musk. Mas é evidente que, sem pessoas como ele, sem o risco individual e o interesse comercial, a cosmonáutica russa terá dificuldade em acompanhar a americana”.

“Perguntam-me frequentemente: “Poderemos nós repetir o êxito do Space X?” Tecnicamente, podemos. No fim de contas, a aterragem de uma parte ou de um foguetão super-pesado é uma tarefa matemática. Nós não temos falta de matemáticos, mas de sonhadores”, escreve Vitalii Iegorov, popularizador russo da astronáutica, na sua página do Facebook.

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