A mulher sudanesa que em maio foi condenada à morte por ter renunciado ao Islão, voltou a ser detida esta terça-feira depois de, ontem, o tribunal ter aceitado o recurso e anulado a sentença.

Segundo a BBC, Meriam Ibrahim foi detida juntamente com a família por cerca de 40 agentes de segurança  no aeroporto de Cartum quando se preparava para sair do país rumo aos EUA (o marido tem cidadania norte-americana). De acordo com o advogado da família, Ali Mohammed, que estava no aeroporto, as autoridades não deram qualquer justificação para o sucedido nem responderam ao advogado quando questionadas sobre a ordem de libertação do tribunal.

Mohammed afirma que a mulher foi levada para um centro de detenção acompanhada pelos seus dois filhos e o marido Daniel Wani, que insistiu em ir com ela: “Eles sabem que ela foi ilibada pelo tribunal mas voltaram a levá-la, não sei porquê”, disse, citado pela NBC News.

O caso de Meriam Ibrahim chocou o Sudão e o resto do mundo depois de, em fevereiro, a mulher ter sido presa e condenada à morte por enforcamento por ter renunciado ao Islão, afirmando-se cristã. Foi também sujeita a uma sentença de adultério de 100 chicotadas, pelo facto de se ter casado com um homem cristão. Meriam, de 27 anos, foi educada pela mãe segundo a religião Ortodoxa, e não islâmica (religião do pai, que esteve pouco presente durante a sua infância), e acabou por se casar com um cidadão do Sudão do Sul, igualmente cristão.

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Quando foi presa no início do ano levava um filho na mão e estava grávida de outro, que acabou por nascer no estabelecimento prisional. Foi condenada à morte por enforcamento mas, na segunda-feira, o tribunal aceitou um pedido de recurso e deu ordem de libertação.

A população do Sudão é maioritariamente muçulmana e a lei islâmica vigora desde a década de 80. Mesmo depois de Meriam Ibrahim se ter casado com um cristão ortodoxo em 2011, e de se afirmar cristã, as autoridades consideram-na muçulmana por ser a religião do pai e acusam-na de renunciar à fé do país.