O secretário-geral do PS revelou sexta-feira em Santarém ter defendido no Conselho de Estado a revisão das condições de pagamento da dívida, admitindo que se o tema não constou do comunicado final foi porque não houve consenso.

António José Seguro, que participou num encontro com militantes na sexta-feira à noite em Santarém, frisou ser princípio entre os conselheiros de Estado não divulgar publicamente o que se passa nas reuniões, mas afirmou não ser “difícil adivinhar” quais as propostas e posições que defendeu no encontro de quinta-feira.

“O país tem um grave problema que é o peso elevadíssimo dos juros da nossa dívida pública e isso precisa obter uma resposta e uma resposta consensual. É sabido que, para nós, é fundamental que se pague a dívida, que se honre cada cêntimo dessa dívida, mas também é necessário nós revermos as condições de pagamento dessa dívida para que seja feito de forma credível, de forma justa e que com isso se consiga aliviar os sacrifícios dos portugueses”, afirmou.

Questionado sobre as razões por que esse tema não constou do comunicado final do Conselho de Estado, Seguro apenas respondeu que “o comunicado expressa aquilo que é consensual”.

O líder socialista afirmou que continua a bater-se “para que haja consenso na sociedade portuguesa e para que o Governo adira a esse consenso de renegociação das condições de pagamento” da dívida.

Seguro insistiu igualmente na necessidade de mutualização da dívida e da criação de consenso, tanto nacional como no seio da União Europeia, para que “a componente nacional dos fundos comunitários dos países que estão em dificuldades não conte para o défice” durante alguns anos para ajudar a economia.

Sobre o apelo ao consenso entre os partidos saído da reunião do Conselho de Estado, o secretário-geral do PS afirmou que os compromissos devem ser “testados no concreto”, dando como exemplo o problema da dívida.

“Aqui está um assunto concreto que precisa de consenso e no qual o Governo, que tanto fala de consenso, depois não pratica. De que vale falar, falar, falar se depois não pratica”, declarou.

Seguro apontou outras “propostas concretas” que tem vindo a apresentar, como a da mutualização da gestão de parte da dívida pública ou a da criação de um banco central europeu “que cumpra verdadeiramente o seu papel e que possa emprestar dinheiro aos Estados”, o que “passa por atribuir uma licença bancária ao mecanismo europeu”.

“Volto a frisar que 15 dos 18 países da zona euro têm uma dívida pública superior a 60% e é fundamental que para esse problema comum da zona euro exista uma solução comum. Isso alivia os sacrifícios dos portugueses. São propostas concretas como estas que devem merecer o consenso e não consensos em abstrato, que é muito bonito para ilustrar discursos mas depois não resolvem os problemas dos portugueses e os portugueses estão fartos dessas conversas, querem é respostas concretas aos seus problemas”, acrescentou.

O líder socialista disse ainda estar a seguir com “muita atenção e com preocupação” o que se está a passar no BES, escusando-se a qualquer outro comentário, já que, “até ao momento, o Banco de Portugal, que é responsável pela supervisão e pela regulação, ainda não emitiu nenhum comunicado nem tomou nenhuma posição pública”.

“O que desejo é que os problemas possam ser solucionados e que possa haver estabilidade nesse banco em concreto e em todo o sistema bancário” português, rematou.