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O Governo israelita aceitou as tréguas propostas pelo Egito para o conflito na Faixa de Gaza na manhã desta terça-feira, poucos minutos antes de ela se poder tornar efetiva, às 6h. Isto pressupõe um cessar-fogo imediato e a abertura das fronteiras terrestres, seguido de encontros entre as delegações dos beligerantes na cidade do Cairo com o objetivo de estabelecer novos acordos de paz. O braço armado do Hamas, entretanto, fez saber que rejeita qualquer opção de cessar-fogo e que tem a intenção de “intensificar” os combates.

A proposta egípcia, diz o Hamas, “constitui uma rendição e não vale nada”. “A nossa batalha com o inimigo vai intensificar-se e fazer jus ao sangue dos mártires”, disse a organização em comunicado.

Desde o reinício da violência entre Israel e a Palestina, há uma semana, que já morreram cerca de 192 palestinianos e outros 1.400 ficaram feridos, segundo as contas do Hamas. Do lado de Israel registaram-se quatro feridos mas nenhuma morte. Ainda antes da decisão do primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu de aceitar as tréguas propostas pelo Egito, as tropas de Israel voltaram a bombardear a Faixa de Gaza na madrugada desta terça-feira.

Apesar de o braço armado do Hamas ter rejeitado a opção de tréguas, o seu braço político admitiu a existência de contactos entre as partes nesse sentido. “O nosso povo estava a evitar a guerra mas o inimigo sionista começou-a, anunciou-a, esteve a preparar-se para ela, começou a matar mulheres, crianças e famílias, a destruir casas. (…) Todas as gotas de sangue nos são caras. O meu coração está com estas famílias, mas este banho de sangue impele-nos a defendermos ainda mais os nossos direitos e a parar esta agressão, a acabar com esta situação em Gaza e na Cisjordânia”, afirmou Ismail Haniyeh, responsável pela secção política do Hamas.

Também o presidente da Autoridade Palestiniana Mahmud Abbas demonstrou o seu apoio à iniciativa egípcia, que também mereceu a aprovação de Barack Obama, para quem “as imagens provenientes de Gaza são de cortar o coração”. O secretário de Estado norte-americano John Kerry, que se encontra em Viena a discutir o plano nuclear iraniano, teve uma viagem prevista ao Médio Oriente para mediar possíveis tréguas, mas decidiu adiá-la, preferindo esperar para ver o desenrolar dos acontecimentos na sequência da proposta egípcia.

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