Barack Obama alargou as sanções norte-americanas contra a Rússia, que atingem agora bancos e empresas na área da energia e defesa. A medida, que foi classificada pelos oficiais norte-americanos como a mais severa até à data, foi anunciada pelo presidente norte-americano, na quarta-feira.

As novas medidas não restringem por completo todos os setores da economia russa, como tinha sido ameaçado, mas dificultam o acesso dos bancos e empresas aos mercados de dívida norte-americanos, proibindo o acesso a empréstimos com um prazo superior a 90 dias. Isso significa que estas poderão continuar a conduzir os seus negócios do dia-a-dia, mas que terão dificuldades em financiar outras atividades a médio ou a longo prazo.

As novas sanções foram coordenadas com os líderes europeus, que se reuniram em Bruxelas para discutir as medidas de restrição europeias contra a Rússia. Contudo, estes recusam-se a ir tão longe quanto os Estados Unidos, preferindo focar-se num plano de bloqueio a empréstimos europeus para novos projetos russos. A divergência quanto às medidas que devem ser tomadas em relação à Rússia reflete a divisão que existe entre Washington e Bruxelas. Porém, para os oficiais americanos, o posicionamento europeu e a imposição de novas medidas, deve ser visto como um sinal de contínua solidariedade face à constante provocação russa em relação à Ucrânia.

A Casa Branca convocou os embaixadores da União Europeia para um encontro na passada segunda-feira, avançou o New York Times. No encontro, foram dadas a conhecer provas do envolvimento russo na questão ucraniana, utilizadas para pressionar a UE a tomar uma ação mais drástica. Caso a UE não avance com as ameaças e futuras sanções, os oficiais americanos assinalaram que Obama está preparado para atuar unilateralmente, caso seja necessário.

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Os dirigentes europeus reunidos em Bruxelas decidiram esta quarta feira reforçar as sanções contra a Rússia devido à crise na Ucrânia, mas sem adotar medidas económicas de envergadura, referiu fonte diplomática. Reunidos na cimeira do Conselho Europeu em Bruxelas, os dirigentes europeus decidiram designadamente congelar os programas promovidos na Rússia pelo Banco Europeu de Investimentos (BEI) e pelo Banco europeu para a reconstrução e desenvolvimento (BERD), adiantou a mesma fonte, citada pela agência noticiosa AFP.

Em paralelo, os Estados Unidos também anunciaram um endurecimento das sanções contra Moscovo e que visam em particular a Gazprom, gigante russo do gás, e o seu banco, o Gazprombank. Nas medidas mais punitivas até agora anunciadas por Washington, o ministério das Finanças confirmou ainda a aplicação de sanções ao gigante do petróleo Rosneft, e às autoridades separatistas de Donetsk.