Se, em 1972, alguém tivesse dito a Vito Corleone que a máfia do século XXI ia utilizar o Facebook para mostrar ao mundo o que anda a fazer, muito provavelmente o Godfather teria ficado incrédulo. Entre selfies e constantes atualizações de estado na rede social de Mark Zuckerberg, a nova geração de mafiosos não parece ter problemas em tornar pública a vida luxuosa que leva. Mas a falta de discrição na internet também lhes pode vir a sair caro.

Uma investigação da revista italiana L’Espresso mostra como Domenico Palazzotto, de 28 anos e chefe da máfia em Palermo, na Sicília, publica no Facebook, através de um perfil falso, fotografias de si próprio e de alguns momentos do seu dia-a-dia, entre viagens em luxuosos iates ou limusinas a jantares regados com champanhe. O próprio Palazzotto aproveita o perfil falso para confrontar a polícia e trocar mensagens com aspirantes a mafiosos que queiram fazer parte do seu clã. “É preciso mandar um currículo?”, questiona um dos candidatos. “Sim, irmão. Precisamos de considerar o teu registo criminal. Não aceitamos ninguém que tenha um registo limpo”, respondeu Palazzotto, de modo irónico.

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Salvatore D’Alessandro, um cúmplice de Palazzotto, também publicou no Facebook, sob pseudónimo, fotografias de jantares e passeios em iates com o seu chefe e escreveu que ambiciona subir na hierarquia da organização. “Por agora eu sou um dos pequenos tubarões a caçar no fundo do mar. Mas chegará o momento em que chegarei à superfície e não terei piedade de ninguém”.

Uma fonte da investigação policial em Palermo disse ao The Telegraph que as autoridades estão a monitorizar o Facebook para tentar descobrir alguma informação sobre os mafiosos. Durante os últimos anos, foram presos diversos membros da máfia siciliana, alguns deles com lugares de topo na hierarquia da Cosa Nostra (sinónimo para máfia em Sicília). Mas, de acordo com o jornal britânico, a nova geração está determinada a reconquistar o terreno perdido e não tem medo da publicidade, ao contrário da geração mais velha, que “vivia em quintas, alimentava-se à base de pão, queijo e vegetais cultivados no seu terreno, não utilizava telefones e transmitia as suas ordens através de pizzini, notas escritas à mão”.

“A nova geração usa o Facebook, o WhatsApp e as SMS para mostrar que vai às melhores discotecas, praias e restaurantes, já que acredita que essa é a chave para ser respeitada”, escreve o Telegraph, citando a mesma fonte policial. Mas a sua debilidade face às redes sociais é o que os torna presas fáceis, já que podem ser localizados e detidos.

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O perfil falso de Palazzotto. Créditos: Revista L’Espresso

Em junho deste ano, Palazzotto foi um dos 95 mafiosos detidos pelas autoridades policiais durante a “Operação Apocalipse”, cujo objetivo era desmantelar uma nova quadrilha em Palermo, que estava envolvida em diversos delitos como fraude eleitoral, extorsão, tráfico de drogas e lavagem de dinheiro.