O vereador do CDS-PP na Câmara Municipal de Lisboa quer obter mais esclarecimentos de António Costa, presidente da autarquia, relativamente à noticiada intenção do município de não recuperar os brasões florais dos antigos territórios ultramarinos na Praça do Império, em Belém. João Gonçalves Pereira enviou a Costa um extenso documento onde diz querer “expressar a sua perplexidade” perante uma decisão que, diz, “tem como base razões políticas incompreensíveis”.

“O presidente da Câmara Municipal de Lisboa e o seu vereador José Sá Fernandes estão equivocados: a História é a História e não se apaga, e o património é o património. Por isso mesmo, preservam-se e cuidam-se”, escreve o vereador centrista, que acusa António Costa de “abrir uma querela que ninguém pediu ou suscitou”.

“Não creio que o presidente tenha a mesma posição. Acredito que prevalecerá o bom senso”, diz Elísio Summavielle, ex-diretor geral do Património Cultural.

Para já, o presidente da câmara ainda não se pronunciou sobre o tema, mas Sá Fernandes, vereador dos Espaços Verdes, disse à TVI24 que a ideia de não recuperar os brasões coloniais “é uma opinião pessoal [sua], não é da câmara”. “Não faz sentido estarmos a gastar dinheiro a recuperar símbolos que já não existem”, declarou. Já esta quarta-feira, o seu assessor havia explicado ao Observador que, atualmente, “os brasões não existem”, pelo que, na leitura daquela vereação camarária, “há uma recuperação do património, não uma destruição”.

Não é essa, contudo, a interpretação de João Gonçalves Pereira, para quem a ideia é “medíocre” e “revela ainda uma certa ideia de ‘quero posso e mando'”. “Mandaria o mais elementar bom senso ouvir a Câmara antes de mandar destruir património que faz parte da nossa História, ainda mais, tratando-se de zonas e espaços classificados”, escreve o vereador do CDS.

Segundo o assessor de Sá Fernandes, está a decorrer um estudo na autarquia com vista aos trabalhos de recuperação dos elementos florais do jardim, pelo que ainda não há prazos nem decisões definitivas sobre o assunto. Até porque a contestação fez-se sentir de imediato, mesmo dentro do próprio Partido Socialista, que tem maioria camarária. Para Elísio Summavielle, ex-diretor do Património Cultural e apoiante de António Costa nas eleições primárias do PS, “a História não deve ser apagada” e defende que “aquela envolvente deve ser preservada, [pois] faz parte de um conjunto monumental”. “Não creio que o presidente tenha a mesma posição. Acredito que prevalecerá o bom senso”, diz. Já esta quarta-feira, João Soares tinha declarado ao Observador que pensava que era “um disparate” a anunciada intenção de Sá Fernandes para a Praça do Império.

Esta quinta-feira, ao final da tarde, houve uma manifestação no local convocada pela Associação de Defesa do Património de Lisboa, que também está contra a não-recuperação dos brasões.