Conflito na Ucrânia

“É melhor não se meterem com a Rússia”, avisa Vladimir Putin

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A Rússia é uma das maiores potências nucleares do planeta, recorda Putin, que, no entanto, diz que não está a fazer ameaças. Tropas ucranianas perdem terreno face aos separatistas.

ALEXANDER ZEMLIANICHENKO/POOL/EPA

Vladimir Putin acusou esta sexta-feira as forças militares ucranianas de terem comportamentos bélicos semelhantes aos dos nazis, bombardeando as zonas residenciais das vilas e cidades. Uma atitude que, disse, o fazia recordar “os acontecimentos da Segunda Guerra Mundial, quando os ocupantes nazis cercavam as cidades – por exemplo, Leninegrado [São Petersburgo] – e disparavam à queima-roupa contra os edifícios e os seus habitantes”. E acrescentou: “É terrível. É um desastre.”

As afirmações de Putin surgem na sequência da acusação feita por Barack Obama, na noite desta quinta-feira, de que a Rússia está a armar e a treinar os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia. Este país, por seu turno, pediu já esta sexta a adesão de pleno direito à NATO, depois de ter acusado os russos de enviar tropas para a zona de Donetsk, que procura a separação do governo de Kiev.

Num encontro com jovens russos, Putin não quis comentar a vontade da Ucrânia em pertencer à aliança atlântica nem as acusações de “invasão”, afastando as possibilidades de um conflito armado. “Não queremos”, disse. E deixou um recado: “Não passaria pela cabeça de ninguém começar um conflito de larga escala com a Rússia”.

Claro que nós estivemos sempre prontos a repelir qualquer ato de agressão contra a Rússia. Os nossos parceiros, independentemente da situação em que os seus países estão ou da sua política de negócios estrangeiros, têm de ter sempre presente que é melhor não se meterem com a Rússia”, acrescentou Putin.

Para Putin, ucranianos e russos “são praticamente um [mesmo] povo”, elogiando os separatistas do leste da Ucrânia que estão a conseguir travar as tropas de Kiev. Nos últimos dias, as tropas ucranianas têm perdido posições junto ao Mar de Azov, mas o porta-voz do exército garantiu esta sexta-feira que a cidade de Mariupol, um dos portos mais importantes daquele mar, não está em risco. E criticou as alegadas tropas russas por trazerem faixas onde se lê “Vamos para Kiev”. “Não somos agressores. Apenas estamos a tentar libertar as terras ucranianas. Não pensamos sequer em atravessar a fronteira e ocupar o território de outros”, disse o responsável.

Mas Putin foi mais longe, lembrando que “a Rússia é uma das maiores potências nucleares” do mundo. “Estamos a melhorar as nossas forças armadas, elas estão a ficar, de facto, mais eficazes. Estão a ficar realmente modernas do ponto de vista de estarem equipadas com armamento moderno. Vamos continuar”, acrescentou.

Desde o início do conflito no leste da Ucrânia já morreram cerca de 2.500 pessoas — incluindo as que viajavam no voo MH17 da Malaysia Airlines –, segundo os números da ONU. Esta sexta-feira, apesar das afirmações de Putin- – que o próprio garante não se tratarem de ameaças — o presidente russo e o seu congénere francês, Hollande, falaram ao telefone e “ambos os lados sublinharam a necessidade de acabar com o derramamento de sangue, parar a catástrofe humanitária e resolver os problemas apenas através de meios políticos e pacíficos”, pode ler-se num comunicado do Kremlin.

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