Um novo vídeo mostra a decapitação do jornalista norte-americano Steven Sotloff, avançam agências internacionais. O jornalista freelancer Steven Sotloff era o nome seguinte na lista dos jihadistas do ISIS, caso os Estados Unidos continuassem com os bombardeamentos no Iraque.

Steven Sotloff desapareceu em agosto de 2013 enquanto cobria acontecimentos na Síria para as revistas Time e Foreign Policy. Tinha 31 anos.

O Departamento de Estado norte-americano anunciou no Twitter que está a tentar verificar a autenticidade do vídeo agora divulgado, e cujo título é “Uma segunda mensagem para a América”. De acordo com a AFP, a família Sotloff já tem conhecimento do vídeo e “está de luto”.

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Após o aparecimento do vídeo da morte de James Foley, a mãe de Steven Sotloff suplicou pela vida do seu filho num vídeo direcionado ao chamado “Estado Islâmico”, e publicado na passada quarta-feira.

O vídeo da execução de James Foley foi divulgado a 20 de agosto. Como condição para que Sotloff não fosse também degolado, o jihadista exigia que os Estados Unidos parassem com os ataques aéreos. Recentemente, o exército norte-americano lançou novos ataques aéreos contra o Estado Islâmico no Iraque, perto da localidade de Amerli e da barragem de Mossul, anunciou no domingo o Pentágono.

MISRATA, LIBYA - JUNE 02:   In this handout image made available by the photographer American journalist Steven Sotloff (Center with black helmet) talks to Libyan rebels on the Al Dafniya front line, 25 km west of Misrata on June 02, 2011 in Misrata, Libya.  Sotloff was kidnapped in August 2013 near Aleppo, Syria and was recently shown on a jihadist video in which fellow US journalist James Foley was executed.   In the video the militant form the Islamic State (IS) threatens to kill Sotloff next if the US continues its aerial campaign against the insurgency.  (Photo by Etienne de Malglaive via Getty Images)

Steven Sotloff, aqui de colete azul, fotografado na Líbia. ©Getty Images

O New York Times avança que, no vídeo, Sotloff diz que está a “pagar o preço” pela decisão da administração Obama de bombardear alvos do ISIS no Iraque. É possível ver o mesmo terrorista vestido de negro que apareceu no vídeo da decapitação de James Foley, que agora diz: “Estou de volta, Obama, e estou de volta por causa da vossa arrogante política externa para com o Estado Islâmico”.

Haverá agora um terceiro refém, David Cawthorne Haines, britânico, a ser ameaçado de execução, de acordo com a organização Search for International Terrorist Entities (SITE) Intelligence Group. Outros dois norte-americanos estarão sequestrados pelo ISIS.

O primeiro-ministro britânico remeteu uma declaração para mais tarde, mas o Telegraph diz que David Cameron classificou o ato como “absolutamente repugnante e desprezível”.

Jen Psaki, porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, disse que as agências de inteligência norte-americanas estão a trabalhar “o mais depressa possível” para determinar a autenticidade do vídeo. Caso se confirme, os Estados Unidos vão ficar “enojados”.

Autor da execução de Foley é britânico e chamam-lhe ‘John’, dos ‘Beatles’

O jihadista do Estado Islâmico que aparece por detrás da máscara em ambos os vídeo de execução foi identificado como sendo ‘John’, um cidadão nascido em Londres, avança o jornal britânico The Telegraph. O grupo a que pertence, e do qual se acredita ser cabecilha, é apelidado entre os restantes jihadistas como ‘Os Beatles’, por ser composto por três cidadãos britânicos.

O jornalista que viajou para o Médio Oriente para cobrir o sofrimento dos muçulmanos à mercê de tiranos

“Steven é um jornalista que viajou para o Médio Oriente para cobrir o sofrimento dos muçulmanos à mercê de tiranos. É um filho, irmão e neto leal”, disse a mãe do jornalista, no vídeo publicado na passada quarta-feira, em que apelava diretamente aos jihadistas do Estado Islâmico.

Nascido na Flórida em 1983, Steven Sotloff estudou jornalismo na Universidade Central da Flórida e em 2004 voltou para Miami, onde já tinha vivido, para ter aulas de árabe.

Estava desaparecido há um ano e a sua captura pelo ISIS foi mantida em segredo, a pedido da família, escreve o New York Times. Só voltou a ser visto há duas semanas, no vídeo da execução de James Foley. Só após a decapitação é que Israel revelou que o jornalista também tinha cidadania israelita. Era neto de sobreviventes do Holocausto.

Em trabalho, o jornalista freelancer passou por países como o Egipto, Líbia e Síria. Na rede de mensagens instantâneas Twitter, Sotloff descrevia-se como um “stand-up philosopher”. A última mensagem colocada data de 3 de agosto de 2013 e é sobre a sua equipa favorita da NBA, os Miami Heat.