Na sequência de um ataque a uma das maiores operadoras de hospitais norte-americana, o FBI alertou os profissionais de saúde para tomarem medidas de proteção contra os ciberataques, adiantou a agência noticiosa Reuters. No mês passado, a Community Health Systems Inc. foi atacada por hackers chineses, que entraram dentro da rede de computadores da operadora e roubaram a informação pessoal de 4,5 milhões de pacientes.

A indústria da saúde norte-americana está gradualmente a tornar-se num alvo preferencial dos criminosos, devido à pouca segurança dos sistemas informáticos hospitalares. Muitas empresas e hospitais utilizam ainda sistemas informáticos antigos, sem a proteção dos mais recentes recursos de segurança, o que permite aos hackers aceder aos dados com relativa facilidade.

Os dados roubados são os mais variados. Nomes, datas de nascimento, números de apólices de seguros, códigos de diagnósticos e informações de faturamento, quase tudo serve para depois ser vendido pelos hackers no mercado negro da saúde. Os criminosos usam depois a informação roubada para criar identidades falsas para comprarem equipamento médico ou medicamentos para venda. Outra das fraudes passa pela combinação do número de um paciente com um número falso de um fornecedor, que é depois utilizado para preencher um pedido junto de uma seguradora.

Muitas das vezes, o roubo de identidade médica não é imediatamente identificado, o que permite aos criminosos usarem as mesmas credenciais durante vários anos. Isso faz com que a informação médica seja muito mais valiosa do que a dos cartões de crédito, que tendem a ser rapidamente cancelados pelos bancos assim que a fraude é detetada. Trata-se de um tipo de fraude muito mais rentável, com o preço de uma credencial médica a poder chegar aos 10 dólares (cerca de 8 euros), um valor dez ou vinte vezes mais alto do que o de um número de um cartão de crédito norte-americano.

De acordo com um estudo anual realizado pelo Ponemon Institute, um instituto de estatística, entre 2009 e 2013 a percentagem de crimes denunciados por organizações de saúde subiu de 20% para 40%. A tendência este ano será para subir, tanto em ciberataques como no número de dados roubados, disse o fundador do instituto, Larry Ponemon, à Reuters.