Para Durão Barroso, “a liderança conta”, “os erros político acontecem” e “as decisões é que contam”. Foi esta a apreciação dos seus mandatos à frente da Comissão Europeia que fez a um grupo de jornalistas na quarta-feira. Afirmou que a Europa esteve “à beira do precipício” e que foram as instituições de Bruxelas que mantiveram o projeto europeu à tona.

Agora que os progressos são visíveis em alguns países – “incluindo o crescimento espetacular da Irlanda” – e que isso segundo Durão Barroso mostra que as políticas seguidas na resolução da crise estavam “corretas”, o presidente da Comissão vem dizer que muitos governos, incluindo a Alemanha de Angela Merkel, hesitaram perante a tarefa de salvar o euro.

“Sinto-me muito orgulhoso porque a realidade é que muitos governos estavam divididos em relação a isto [resolução da crise]. Houve hesitações por parte de Berlim… Nós fomos a única instituição que foi sempre absolutamente clara sobre o queria: não aceitamos a desintegração da zona euro”, disse Durão Barroso.

Apesar dos pedidos de flexibilização dos défices, Durão Barroso disse ainda que a sua equipa vai agarrar-se às regras previamente estipuladas a nível comunitário e não vai permitir “desvios particularmente sérios das promessas feitas” quando a Comissão se pronunciar nas próximas semanas sobre os orçamentos de cada Estado-membro.

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Para além da crise da zona euro, o seu segundo mandato vai ficar ainda marcado pelo crescimento das forças eurocéticas. O ex-primeiro-ministro português disse que muitos destes partidos estão a esconder “as suas políticas” e “os seus instintos” por detrás de “um discurso articulado anti-europeu”. “O grande motivo para isto não tem a ver com a burocracia de Bruxelas, mas sim com o facto de os países não quererem estrangeiros nos seus territórios”, alega Durão.

Para os próximos tempos, o português avisa que as forças pró-europeias devem ser mais ativas na defesa dos valores pró-europeus: “O que é um problema para mim é a falta de visão e de coragem dos pró-europeus”.