Monica Lewinsky é a mais recente personalidade a juntar-se ao Twitter, cujo perfil estreou esta segunda-feira com um simples tweet: “#HereWeGo” (“aqui vamos nós”, em português). Uma hora depois, a conta da ex-interna da Casa Branca foi confirmada e seguiu-se uma segunda mensagem onde confirmou presença na cimeira organizada pela Forbes, 3o Under 30. Com apenas dois tweets, Lewinsky angariou 29,4 mil fãs.

Mas é sobretudo pela cimeira, que também aconteceu esta segunda-feira, que a ex-amante de Bill Clinton — quando este era presidente dos Estados Unidos da América — é notícia. Perante uma audiência de mais de 1000 pessoas, Lewinsky quebrou o silêncio de uma década (ou quase) para anunciar uma campanha em que está envolvida e que pretende acabar com o cyberbullying e com a cultura tóxica da humilhação via Internet, escreve a Forbes. Foi o primeiro discurso público de sempre.

“De uma noite para a outra, passei de uma figura completamente privada para ser humilhada publicamente. Eu fui o paciente zero. A primeira pessoa a ter a sua reputação completamente destruída a nível mundial pela Internet”, disse num auditório em Filadélfia. Aos 41 anos, contou o seu lado da história num discurso emocionado e descreveu como o escândalo lhe abalou a autoestima.

“Francamente, quase me desintegrei. Não, não é uma palavra muito forte. Eu gostava que fosse, mas não é. (…) Eu queria morrer”, disse no discurso promovido pela Forbes. Contou que, durante aquele período, percebeu que existiam duas versões de si mesma: a que era real e a pública, construída por fações políticas e pelos media — “construída com poucos factos e muita ficção”. E acrescentou: “Os meus amigos não conheciam essa Monica. A minha família não conhecia essa Monica. E esta Monica, a Monica real que aqui está hoje, não a conhecia também”.

Em maio Lewinsky escreveu para a Vanity Fair e criticou as forças políticas e mediáticas e a forma como estas a afetaram desde os seus 24 anos — “É tempo de queimar a boina e enterrar o vestido azul”.