A Polícia Judiciária (PJ) deteve 1.696 pessoas, por crimes graves, e apreendeu 11 milhões de euros em dinheiro, no período de um ano, revelou Almeida Rodrigues, diretor daquele órgão de investigação criminal. Do universo de detidos, de 20 de outubro de 2013 ao dia de hoje, 40 por cento foram sujeitos a prisão preventiva, “197 são presumíveis homicidas, 235 assaltantes à mão armada, 75 sequestradores, 113 incendiários, 196 violadores e abusadores de crianças, 258 traficantes de drogas e 13 traficantes de pessoas”.

Por ocasião do 69.º aniversário da PJ, Almeida Rodrigues afirmou ainda que “a ação meritória e empenhada dos investigadores” da corporação permitiu também apreender 909 armas de fogo, 3.241 quilos de cocaína, mais de 2.466 quilos de haxixe e mais de 200 quilos de ouro. “Foram arrestados 104 imóveis, apreendidos 409 instrumentos financeiros, no valor total que ronda os 38 milhões de euros. Só em dinheiro, foram apreendidos mais de 11 milhões de euros. E foi ordenada a suspensão de 47 operações bancárias, cujos montantes globais ultrapassa os 40 milhões de euros”, acrescentou.

No mesmo período, Almeida Rodrigues afirmou que 365 viaturas automóveis e oito embarcações usadas no tráfico internacional de drogas foram igualmente apreendidas. Ressalvou ainda que “o Gabinete de Recuperação de Ativos, estrutura recentemente criada na dependência da PJ, procedeu à apreensão de bens suscetíveis de perda a favor do Estado, avaliados no valor de mais de 26 milhões de euros”.

Almeida Rodrigues salientou que a PJ abriu “28.209 inquéritos, 32.463 exames laboratoriais, 343 perícias financeiras/contabilísticas e 7.021 perícias informáticas”. O diretor da PJ afirmou que, num “tempo de contenção da despesa pública e quando se exigem grandes sacrifícios aos portugueses”, a PJ se deparou “com dificuldades na execução orçamental, que, naturalmente, dificultaram a concretização de alguns projetos de investimento”.

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“A PJ, pelos serviços prestados ao país, por servir unicamente o Estado de Direito Democrático, pelas exigências e pela nobreza da sua missão”, que “pode exigir o sacrifício da própria vida aos funcionários que a servem, não pode ficar refém de conjunturas economicamente adversas ou de messiânicas teorias avulsas que veem na parametrização conceptual a solução para todos os problemas”, salientou.

Almeida Rodeigues advogou que as competências funcionárias e as normas estatutárias da PJ “carecem de sedimentação e de um amplo consenso político que as subtraia às constantes tentações reformistas oriundas de vários quadrantes e que, potenciando a incerteza, são geradoras de disfuncionalidades”. Por essa razão, o diretor da PJ observou que a necessidade de “elaboração e aprovação dos instrumentos jurídicos que reputamos essenciais à materialização de uma investigação criminal absolutamente isenta e unicamente ao serviço do Estado de Direito Democrático e da realização da Justiça”.