O julgamento por genocídio de dois antigos dirigentes dos Khmer Vermelhos foi adiado hoje por um tribunal do Camboja, apoiado pelas Nações Unidas, para janeiro de 2015.

Nuon Chea, de 88 anos, conhecido como “Irmão Número Dois”, e Khieu Samphan, 83, presidente do que os Khmer Vermelhos designaram de “Governo do Kampuchea Democrático”, foram condenados, em agosto, num processo diferente, mas pelo mesmo tribunal, a penas de prisão perpétua por crimes contra a Humanidade, sendo que ambos recorreram da decisão.

As condenações aconteceram 35 anos depois da queda do regime Khmer Vermelho, que fez cerca de dois milhões de mortos no Camboja durante os quatro anos em que dominou o país (1975-1979).

Um segundo julgamento teve início em julho, mas foi adiado para meados de outubro devido ao boicote dos advogados de defesa que exigiram a desqualificação dos juízes e mais tempo para completarem os recursos.

A ação para desqualificar os juízes foi descartada no início do mês, tendo a equipa de defesa de Nuon Chea regressado a tribunal na semana passada.

Contudo, Khieu Samphan continuou a dar instruções aos seus advogados para não participarem nos procedimentos, afirmando que tal iria afetar o seu “direito a um julgamento justo”.

Na sexta-feira, o tribunal ordenou à defesa de Khieu Samphan para retomarem a atividade, mas depois de terem faltado à audiência de hoje, o juiz presidente Nil Nonn afirmou que o tribunal “não tinha outra alternativa razoável senão adiar o caso”.

“O julgamento é adiado até 08 de janeiro de 2015”, disse, acrescentando que o tribunal vai instaurar processos contra os advogados de defesa de Khieu Samphan pela sua conduta.

O complexo caso contra Nuon Chea e Khieu Samphan dividiu-se numa série de pequenos julgamentos em 2011 numa tentativa de se alcançar um rápido veredicto atendendo designadamente à sua avançada idade e ao amplo número de acusações.