O CDS está seguro sobre “com quem está e onde está”, leia-se com o PSD no atual governo de coligação. Mas resta saber para onde vai depois de em outubro os portugueses serem chamados às urnas para decidir um novo Governo. Questionado pelos jornalistas à saída de um encontro, na sede do CDS, com uma delegação socialista presidida por António Costa, o eurodeputado e vice-presidente centrista Nuno Melo foi claro: “Em janeiro de 2015 estamos aqui”, e repetiu, “Sabemos onde estamos e com quem estamos”. Outubro de 2015 ainda está longe.

As declarações surgiram na sequência de uma pergunta dos jornalistas sobre o facto de o CDS ter sido excluído de uma proposta feita pelo PSD ao PS para ambos integrarem uma “plataforma de diálogo permanente” para entendimentos futuros. Nuno Melo não se quis alongar em declarações sobre essa matéria, reiterando apenas – e mais uma vez – que o CDS “sabe muito bem onde está e com quem está” e que mantém “o mesmo empenho no entendimento nacional”.

“As coisas são mesmo assim: Estamos em janeiro de 2015 e o CDS sabe rigorosamente onde está e com quem está. Empenhamo-nos no comprometimento nessa nossa plataforma” disse.

Falando sozinho aos jornalistas na sede do CDS no Largo do Caldas, já que Paulo Portas não desceu depois de terminada a reunião, Nuno Melo teceu críticas ao PS por “em momentos importantes” ter recusado entendimentos com o atual Governo, nomeadamente nos casos da reforma do IRS e do IRC, onde “a tática do partido” se sobrepôs ao “interesse nacional”, disse. Uma postura que, disse, é totalmente diferente da do CDS, que “sempre valorizou a política de compromissos”.

Para já, no entanto os dois partidos são “estruturalmente diferentes”, como disse Melo, e “não têm pontos de convergência”, como antes já tinha sublinhado o líder socialista António Costa. “O PS de 2011 e o PS de 2015 são a face da mesma moeda”, sublinhou o vice-presidente centrista recuperando uma expressão que antes já tinha sido usada por Costa para se referir aos dois partidos da atual maioria.

Segundo António Costa, a conversa que decorreu durante pouco mais de uma hora com a delegação centrista constituída pelo presidente Paulo Portas, pelo vice-presidente Nuno Melo e pelo líder da bancada parlamentar Nuno Magalhães foi “agradável”. Mas nem por isso convergente.

“Foi uma conversa agradável, mas não há nenhuma convergência”, afirmou o secretário-geral socialista, explicando que “o PSD e o CDS são duas faces da mesma moeda desta política do Governo” e que, por isso, não há para já quaisquer entendimentos – ainda que, como admitiu, haja alguns “arrufos” entre os dois parceiros de coligação. “A alternativa que se coloca é entre esta frente PSD/CDS e o PS”, rematou.

Questionado pelos jornalistas sobre o facto de a história indicar que é tendencialmente mais fácil o PS fazer entendimentos de governação com o CDS, por terem um eleitorado distinto, António Costa procurou relativizar a questão: “Sou pouco adepto dessas teorias dos ovos e dos cestos, o que interessa agora é que o país está esgotado e precisa de alternativas”, disse. E separou as águas perante o diálogo que tem mantido com os partidos, e que diz querer continuar a manter caso vença as próximas eleições com maioria absoluta, e a procura de eventuais parceiros de coligação.

“A democracia é por natureza o regime do compromisso e é necessário que ninguém seja excluído do diálogo político, mas é também essencial não confundir o diálogo político com a criação de condições de governabilidade”, sublinhou.

Na sequência da sua eleição como secretário-geral do PS a 23 de novembro e do Congresso do PS de 29 e 30 de novembro, António Costa iniciou uma série de encontros institucionais, tendo-se reunido com a presidente da Assembleia da República, Assunção Esteves, a 9 de dezembro, com o primeiro-ministro, Pedro Passos Coelho, dois dias depois, para apresentação de cumprimentos, e com o Presidente da República, Aníbal Cavaco Silva, no Palácio de Belém, também em dezembro. Esta semana seguiram-se os parceiros sociais e os vários partidos políticos (PSD e BE primeiro, PCP e PEV depois), com o CDS a fechar a ronda.