“É quase como se fosse um estágio, é espetacular também poder aplicar os meus conhecimentos aqui”, afirmou à agência Lusa a jovem, da Batalha, que se formou em Educação Social em 2013 e que, desde outubro, dois dias por semana, faz voluntariado na Organização de Apoio e Solidariedade para a Integração Social (OASIS).

Decidida a fazer alguma coisa para ocupar o tempo, Raquel Jerónimo viu no voluntariado uma opção para também dar o seu tempo a outros, numa área, a da deficiência, com a qual não estava familiarizada.

“Quis entrar nesta área para ganhar experiência e para saber como lidar com a deficiência”, declarou à agência Lusa, satisfeita por ver o grupo que ocupa a sala de informática a realizar tarefas como escrever no computador, aceder ao Facebook ou ouvir música no YouTube.

Dizendo sentir-se “recompensada” com esta ocupação na qual ajuda outros, a voluntária sublinhou a satisfação que tem quando os utentes atingem “algo que talvez não soubesse que conseguiriam atingir”.

Raquel Jerónimo é uma das 215 pessoas inscritas no Banco Local de Voluntariado de Leiria, a funcionar na Câmara Municipal desde 2008.

A vereadora com o pelouro do Desenvolvimento Social, Ana Valentim, explicou que, “maioritariamente, os voluntários que se inscrevem no banco local são estudantes do Instituto Politécnico de Leiria”, incluindo alunos oriundos da China, mas existem igualmente “muitos candidatos licenciados em situação de desemprego” e pessoas inseridas no mercado de trabalho.

O número de voluntariados duplicou o ano passado face a 2013 e, segundo Ana Valentim, uma das razões para este crescimento deve-se ao facto das pessoas quererem estar ocupadas enquanto estão desempregadas.

“Além de adquirirem competências, acabam por se sentir úteis e isso é muito bom e muito importante na sua autoestima”, assinalou a autarca, regozijando-se por o número de voluntários estar a aumentar, assim como as entidades candidatas a recebê-los.

Desempenhando um papel de “elo de ligação” entre uns e outras, o município contabiliza atualmente 19 entidades que se candidataram a receber voluntários, maioritariamente instituições particulares de solidariedade social que exercem atividade com idosos, crianças e na deficiência.

É o caso da Academia Cultural e Social da Maceira, onde Rui Pacheco, de 31 anos, assistente social, encontrou no voluntariado a possibilidade de exercer a área de formação em que se licenciou, mas que não pratica.

“Resolvi fazer voluntariado visto que não consegui exercer como assistente social”, referiu, justificando a opção para “desenvolver competências e adquirir conhecimento na área”.

A opção teria de passar por um lar. “Gosto de trabalhar com idosos”, declarou, satisfeito por esta atividade lhe permitir ganhar “experiência, enriquecimento e conhecimento”.

“Aqui, sinto-me realizado, realmente é isto que gosto de fazer”, garantiu, lamentando que não o possa fazer mais vezes, mas apenas nas folgas do emprego que tem.