O presidente da Comissão Europeia disse esta manhã estar a negociar com o chefe do Eurogrupo, o holandês Dijsselbloem, um empréstimo-ponte para a Grécia ter financiamento assegurado “até ao Verão”, com o objetivo de dar tempo a Atenas para preparar um novo programa de reformas e crescimento. A Comissão dá assim o que parece ser um passo de aproximação ao Governo de Alexis Tsipras, num dia em que a Grécia prepara uma proposta aos ministros das Finanças do euro no sentido de pedir um precisamente um empréstimo por mais seis meses.

Mesmo assim, segundo o jornal grego eKathimerini, Juncker deixa claro que o novo Governo “tem de respeitar todas as obrigações financeiras estabelecidas pelos anteriores governos – essa será a raiz de qualquer novo acordo”, assegurou o Presidente da Comissão, reiterando que vai esperar para ver a proposta para depois a analisar.

Já Pierre Moscovici, comissário europeu para os Assuntos Económicos, disse a uma televisão belga que a Comissão aguarda uma proposta grega, manifestando “flexibilidade” para discutir com Tsipras as mudanças que este reclama nas políticas sociais, para combater a evasão fiscal e para garantir maior justiça social, diz a Bloomberg.

O problema, até aqui, prende-se não tanto com o empréstimo, mas com as suas condições. O Governo grego insiste não querer o prolongamento do programa atual (leia-se, das medidas que condicionam o empréstimo da troika), ao passo que do Eurogrupo saiu a exigência clara desse compromisso.

Ontem, segundo reporta o Telegraph, o ministro das Finanças alemão, Wolfgang Shauble, foi de novo muito afirmativo a este propósito: As divergências não se prendem “sobre a extensão do empréstimo, mas sobre se este programa vai ser cumprido” ou se o Governo grego abdica dele, disse o ministro alemão, que esta manhã recebe Maria Luís Albuquerque em Berlim.

Antes disso, um porta-voz de Schauble deixou de novo vincadas as diferenças:

Do lado grego, o ministro de Estado Alekos Flambouraris disse a uma estação de rádio que o pedido de extensão do empréstimo servirá para “deixar respirar a economia” e insistiu que isso não pode implicar o prolongamento do memorando. O ministro desvalorizou a oposição de Schauble, dizendo que se trata de uma posição negocial “para que nos possamos encontrar a meio do caminho”.

Esta manhã, os mercados reagiram bem, de todo o modo, à aparente aproximação entre as partes negociais.

As últimas informações oficiais garantiam que ainda não estava marcada qualquer reunião do Eurogrupo para sexta-feira, dia limite para um acordo.