“Foi acordado que não há mais tempo para desperdiçar”, afirmou Jeroen Dijsselbloem, o presidente do Eurogrupo, no final de uma reunião em que, garantiram alguns ministros das Finanças, a Grécia não foi tema de destaque na discussão esta segunda-feira. Ainda assim, fonte do governo grego indicou à Bloomberg que houve abertura no Eurogrupo para solucionar o problema de tesouraria na Grécia. As suas reservas atuais não deverão durar mais do que três semanas, ou seja, até ao final do mês de março.

Saiu do Eurogrupo desta segunda-feira um compromisso para iniciar esta quarta-feira o trabalho técnico “com vista à rápida e bem sucedida conclusão da avaliação” que está pendente, a quinta e última avaliação do segundo programa de assistência que a Grécia pediu (em 2012).

Os trabalhos vão decorrer, principalmente, em Bruxelas, mas Dijsselbloem acredita que “quando for tido como necessário, as equipas técnicas das instituições serão bem-vindas em Atenas”, acrescentou Dijsselbloem, afastando a ideia de que os elementos do FMI, BCE e Comissão Europeia não eram bem-vindos pelo novo governo em Atenas.

“Sublinhámos a importância de existir uma cooperação entre as autoridades gregas e as instituições e, também, que não serão tomadas decisões de forma unilateral pela Grécia”, concluiu o presidente do Eurogrupo.

O responsável fugiu a questões relacionadas com o estado de emergência da tesouraria pública da Grécia, um país que está a fazer tudo por tudo para pagar o reembolso de 350 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional (FMI), esta semana, e continuar a financiar as atividades do Estado. A Grécia tem um desembolso de 7,2 mil milhões de euros pendente, que corresponde à última tranche do segundo programa de assistência.

Esta segunda-feira, uma fonte europeia afirmou que não existem reservas de tesouraria para durar mais do que três semanas. A mesma fonte adiantou, também, que é improvável que Atenas venha a receber os 1,9 mil milhões que os bancos centrais da zona euro tiveram em lucros com a compra de dívida grega no auge da crise (dívida comprada a preços baixos que, entretanto, chegou à maturidade e foi paga na íntegra).

Durante esta reunião, um fonte do governo grego garantiu que os ministros do Eurogrupo mostraram “abertura” para ajudar a resolver os problemas de liquidez, sem adiantar mais informações sobre como essa ajuda poderá ser prestada.

 Maria Luís diz que não há nada para esclarecer com Varoufakis

Sobre a Grécia, a ministra das Finanças, Maria Luís Albuquerque, disse que “não se proporcionou” falar com o seu homólogo grego, Yanis Varoufakis, na reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, mas acrescentou que “não há nada para esclarecer” entre ambos.

No final de um encontro do fórum dos ministros das Finanças da zona euro, o primeiro desde que o governo grego acusou os governos de Portugal e de Espanha de terem tentado inviabilizar um compromisso relativamente ao prolongamento da assistência financeira a Atenas, Maria Luís Albuquerque, questionada sobre se teve oportunidade de esclarecer o assunto com Varoufakis, disse que não foi o caso mas que também não era necessário.

“Quando o ministro grego entrou na sala, eu já lá estava e não se proporcionou, mas não há nada para esclarecer entre nós os dois, de todo”, afirmou.

Perante a insistência dos jornalistas, que questionaram a ministra sobre a polémica em torno das acusações do governo de Alexis Tsipras – que motivaram mesmo queixas dos governos de Lisboa e Madrid junto de Bruxelas -, Maria Luís Albuquerque reforçou que “não há nada para esclarecer” e acrescentou que, em sua opinião, o assunto “não merece grande desenvolvimento”.