O Banco Central Europeu (BCE) aumentou em 400 milhões de euros o limite máximo do recurso dos bancos gregos à plataforma de emergência do banco central, menos de metade do que Atenas pediu (900 milhões). A revisão do limite foi uma resposta ao agravamento nos últimos dias da fuga de depósitos na banca, perante relatos de que “não estão a correr bem” as negociações técnicas entre a Grécia e representantes das instituições credoras. Com a popularidade interna do governo a descer, a tensão está a subir de dia para dia, pelo que os olhos estão postos na reunião esta quinta-feira, à margem do Conselho Europeu, do primeiro-ministro Alexis Tsipras com Angela Merkel, François Hollande, Jean-Claude Juncker e Mario Draghi.

Uma sondagem da Marc à popularidade do governo grego mostrou que, a 13 de março, esta tinha caído para 59,8%, numa altura em que não estavam ainda cumpridos 50 dias de governo liderado pelo Syriza. Cerca de um mês antes, esse apoio estava bem acima de 80%, segundo uma sondagem semelhante. A mesma sondagem, divulgada na quarta-feira, 61,2% dos gregos indicaram que querem continuar na zona euro mesmo que isso implique mais medidas de austeridade. Menos de um terço prefere abandonar o euro a continuar o resgate internacional. Esta não tem sido a posição assumida por Tsipras, que voltou quarta-feira a garantir que o programa de resgate acabou e que não haverá mais medidas de austeridade na Grécia. Declarações que aumentaram a incerteza em torno do futuro da Grécia.

Segundo o jornal grego Ekathimerini, que cita fontes do setor, a banca grega perdeu entre 350 e 400 milhões de euros em depósitos na terça-feira, dia 17 de março, cerca de cinco vezes mais do que a média dos dias anteriores. Foi o pior dia desde 20 de fevereiro, dia em que Atenas e o Eurogrupo acordaram uma extensão do programa. Apesar dessa extensão, o governo grego tem visto agravarem-se de dia para dia as dificuldades de financiamento público e isso sente-se, também, na estabilidade do setor financeiro. As ações dos bancos gregos estão a refletir esta incerteza, reaproximando-se dos mínimos atingidos no mês passado, depois de o presidente do Eurogrupo, Jeroen Dijsselbloem, ter falado sobre a possibilidade de serem impostos controlos de capitais na Grécia.

Bancos gregos sob pressão na bolsa

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As ações da banca grega estão a reaproximar-se dos mínimos fixados no final de janeiro e início de fevereiro. No gráfico, o desempenho das ações do National Bank of Greece (branco) e do Alpha Bank (amarelo). Fonte: Bloomberg

Apesar de a reunião do Conselho Europeu desta quinta e sexta-feira não ter, oficialmente, a Grécia como ponto de discussão na agenda, Alexis Tsipras conseguiu a reunião com Angela Merkel e François Hollande que tinha pedido. Nesta reunião, que acontece esta quinta-feira à margem da Cimeira Europeia, estará também presente o presidente do BCE, Mario Draghi, e o presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker, que na terça-feira disse ser contra a “hipótese de uma saída da Grécia da zona euro” e defendeu que “temos de ter amor pelo povo grego“, que “enfrenta uma crise humanitária”. Já na quarta-feira, o Comissário Europeu Pierre Moscovici mostrou-se preocupado com os riscos de uma saída da Grécia da zona euro mas garantiu que isso não será evitado “a qualquer preço“.

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Segundo a Bloomberg, fontes próximas de Angela Merkel dizem que a chanceler alemã está disposta a fazer o que considera ser grandes cedências na negociação mas vai querer, neste encontro com Tsipras, sublinhar que a Grécia tem de se movimentar dentro das regras europeias e da zona euro. As mesmas fontes recusaram quaisquer rumores de que a chanceler alemã estaria prestes a fazer um ultimato a Atenas. “A conversa será sobre a situação entre a Grécia e os outros membros da zona euro e sobre como pode ser encontrado um caminho para seguir daqui para a frente”, disse o porta-voz oficial de Merkel, Steffen Seibert, citado pela agência noticiosa.