A decisão de permitir às mulheres iranianas que voltem a entrar nos estádios onde decorrem competições de desportos masculinos foi anunciada por Abdolhamid Ahmadi, representante do ministro do Desporto. Apesar de parecer claro que as mulheres vão poder assistir a grandes competições, ficou ainda pouco claro quais os desportos abrangidos por esta permissão, já que serão excluídos os desportos em que os homens usam um tipo de equipamento indeterminado. Desde 1979 que as mulheres não podem entrar nos estádios no Irão – com exceção de algumas mulheres estrangeiras.

O Guardian avança que entre os desportos permitidos pode estar o basquetebol e voleibol, depois de Ghoncheh Ghavami, uma iraniana de 26 anos com dupla nacionalidade britânica, ter sido detida durante cinco meses numa prisão por se ter manifestado contra a proibição de mulheres nos estádios durante uma competição de voleibol. As acusações contra Ghavami já foram retiradas, embora ela continue impedida de viajar para fora do país. O caso recebeu muita atenção fora do Irão, com apelos por parte do Governo do Reino Unido e da Amnistia Internacional para a libertação da jovem.

O representante do ministro do Desporto iraniano disse que a proibição de mulheres nos estádios vai ser levantada para eventos desportivos em estádios cobertos, mas que as regras não vão mudar em todos os desportos porque “grande parte dos desportos diz respeito aos homens – e as famílias não têm interesse em assistir a esses eventos”, disse à agência noticiosa governamental Press TV, cita a CNN.

Desde a revolução religiosa de 1979, alguns governos tentaram abrandar estas regras, mas sem sucesso e sendo sempre barrados pela elite religiosa do país. Esta proibição fez com que o presidente da FIFA, Sepp Blatter, escrevesse uma carta ao país no mês passado para que acabasse com esta discriminação “intolerável”, dizendo que situação não podia continuar desta maneira. O Irão perdeu também no mês passado a hipótese de ser o anfitrião da Copa da Ásia 2019, alegadamente devido a esta proibição.

Um dos retratos mais conhecidos desta proibição é o filme “Fora-de-Jogo”, realizado por Jafar Panahi em 2006, que conta a história de uma rapariga iraniana que quer assistir a um jogo entre o Irão e o Japão. O filme acabou por ganhar o Urso de Prata no Festival de Berlim.

A Arábia Saudita também não permite que as mulheres assistam a eventos desportivos e limita a prática de desporto às atletas femininas.