O Banco Central Europeu (BCE) decidiu esta quinta-feira aumentar em 1,2 mil milhões de euros a linha de emergência para a banca grega. A decisão foi tomada no mesmo dia em que os gregos pagaram 450 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional o que deixa o país a contar dinheiro para pagar salários a funcionários públicos e pensionistas este mês.

A decisão do Banco Central Europeu de aumentar a linha de emergência aos bancos da Grécia (ELA – Emergency Liquidity Assistance) foi tomada na quinta-feira e prevê um aumento de 1,2 mil milhões. A linha para a banca grega está agora nos 73,2 mil milhões de euros. O aumento desta semana foi superior ao aumento verificado a semana passada que foi de 700 milhões de euros.

A decisão de Mario Draghi, presidente do BCE, surge no dia em que a Grécia devolveu quase 450 milhões de euros ao Fundo Monetário Internacional o que levou muitos analistas a colocarem em causa a liquidez do país. Isto porque o calendário de pagamentos da Grécia até ao final do mês é apertado com a necessidade de pagar salários aos funcionários públicos e pensões. Antes da devolução ao FMI, a Grécia tinha feito uma emissão de bilhetes do tesouro a seis meses de 1,1 mil milhões de euros que lhe permitiu renovar dívida que expirava esta semana.

O presidente do BCE, Mario Draghi, terá avisado os decisores políticos que o pedido da Grécia tem de ser concedido na totalidade para não criar problemas de liquidez. A cedência de mais fundos para a banca grega está a ser avaliada semanalmente para evitar o financiamento dos bancos gregos à divida pública.

Perante a decisão do BCE, o ministro das Finanças grego criticou o laço apertado aos gregos levado a cabo pelo BCE. Disse Yanis Varoufakis que “a zona euro está a ensinar-nos sobre o paradoxo da independência do banco central”. Além disso, acusou o BCE de se estar a tornar “politizado”.

Além da situação de liquidez, que a própria Grécia reconhece estar “a tornar-se muito grave”, os gregos têm ainda um problema político para resolver nos próximos dias. Os parceiros europeus deram até à próxima semana para que a Grécia apresente uma lista de reformas que possa ser discutida a tempo do Eurogrupo de dia 24 de abril.