Os bancos estão a ser menos restritivos na concessão de crédito às empresas e estará também a haver uma maior disponibilidade para conceder crédito a particulares para habitação. Estas são algumas das conclusões da sondagem trimestral que o Banco de Portugal faz junto de cinco instituições financeiras nacionais e cujos resultados foram divulgados esta terça-feira. Há um maior otimismo no que toca à “perceção de riscos relacionados com a situação e as perspetivas económicas gerais”, diz o Banco de Portugal.

O relatório adianta que “os critérios de concessão de crédito e as condições aplicadas nos empréstimos ou linhas de crédito a empresas e particulares mantiveram-se praticamente inalterados [no primeiro trimestre], tendo uma instituição registado uma redução ligeira na restritividade”. Já no segundo trimestre, aquele em que nos encontramos, a expectativa dos bancos era de que “os critérios de concessão de crédito ao setor privado não financeiro deverão permanecer globalmente sem alterações”. Contudo, poderá “ocorrer uma ligeira diminuição da restritividade nos empréstimos quer a PMEs quer a grandes empresas”, admite a sondagem.

Quanto ao custo desse crédito, “no segmento das empresas e dos particulares continuou a verificar-se uma redução dos spreads aplicados nos empréstimos de risco médio”. “A concorrência entre instituições bancárias e as perspetivas para setores de atividade ou empresas específicas foram apontados por diferentes bancos como fatores que contribuíram ligeiramente para diminuir a restritividade global dos critérios de aprovação de empréstimos”, escreve o Banco de Portugal.

Crescimento da procura por particulares

Os resultados do inquérito do Banco de Portugal para o primeiro trimestre de 2015 apontam, também, para uma “manutenção da procura global de empréstimos no segmento das empresas” mas, por outro lado, “um crescimento ligeiro no segmento dos particulares”. “Para o segundo trimestre de 2015, os bancos antecipam um aumento ligeiro da procura de empréstimos por parte das empresas, o qual deverá estar associado principalmente às PMEs”.

Já “no caso dos particulares, a maioria das instituições participantes perspetivam um ligeiro aumento da procura quer para aquisição de habitação quer para consumo e outros fins”. E porquê? “No segmento dos empréstimos a particulares para habitação, o principal fator a contribuir para uma redução da restritividade nos critérios de concessão de crédito foi a perceção de riscos relacionados com a situação e as perspetivas económicas gerais”.

Ainda no segmento do crédito a particulares, “todas as instituições reportaram spreads mais reduzidos nos empréstimos de risco médio, enquanto uma instituição referiu uma melhoria ligeira nos termos e condições gerais, tendo outra instituição referido um aumento ligeiro do rácio entre o valor do empréstimo e o valor da garantia”, ou seja, esse banco já está a admitir emprestar mais do que antes na comparação com a avaliação da casa. Nesta altura, os bancos têm limitado essa proporção a 80% do valor da garantia, obrigando a 20% de entrada inicial.

“Para o segundo trimestre de 2015, a maioria das instituições antecipa alterações ligeiras na procura de empréstimos ou linhas de crédito por parte das empresas. É antecipado que este aumento ocorra especialmente nos empréstimos a grandes empresas e em maturidades quer de curto quer de longo prazo. No caso dos particulares, a maioria das instituições considera que a procura de empréstimos deverá aumentar ligeiramente em ambos os segmentos [habitação e consumo]”, afirma o Banco de Portugal.

O maior otimismo revelado pelo Banco de Portugal vem em linha com a mensagem passada esta manhã pelo Banco Central Europeu, que também revelou uma sondagem para toda a zona euro e que mostrou que as condições de crédito estão a melhorar.