Yanis Varoufakis avisou, numa entrevista ao Huffington Post, que a Grécia pode entrar em incumprimento, deixando de honrar os compromissos assumidos perante os credores, no caso de estes manterem aquilo que considera ser uma posição “dura” e que deixará o país, na sua opinião, sem outra escolha. O ministro das Finanças grego afirmou que a Grécia já entrou em incumprimento em 2012, quando foi acordada uma reestruturação da dívida que implicou perdas entre 60% e 70% para os credores privados, sugerindo que, agora, poderá seguir o mesmo caminho se não houver um acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI), Banco Central Europeu (BCE) e a Comissão Europeia até 24 de abril.

“A Grécia está fora dos mercados”, disse Varoufakis, “e tem pago as dívidas nos últimos meses recorrendo à escassa liquidez” de que dispõe. “Isto não pode continuar”, acrescentou o responsável pelas Finanças no Governo de Atenas, acrescentando: “Se o nossos parceiros institucionais nos disserem ‘não há liquidez, não há novos financiamentos, não qualquer novo contrato’, então, como é óbvio, isto será insustentável, tal como seria com qualquer outro país sujeito a um programa de ajustamento do FMI, da troika ou do BCE”.

O Governo grego está numa situação financeira apertada. Em maio, terá de pagar 768 milhões de euros ao FMI no dia 12 e, ainda, 2,8 mil milhões a pagar (em duas parcelas) de dívida de curto prazo, a 8 e 15 de maio. O mês mais exigente será junho. São sete os pagamentos que a Grécia tem de fazer, e quatro deles são ao FMI: 307 milhões de euros a 5 de junho, 346 milhões de euros a 12 de junho, 576 milhões de euros a 16 de junho e 346 milhões de euros a 19 de junho.