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O Banco Central Europeu (BCE) voltou a aumentar o teto da Emergency Liquidity Assistance (ELA) aos bancos gregos, mas lançando o aviso de que um impasse nas negociações entre os credores e o Governo da Grécia vai tornar o acesso das instituições financeiras aos recursos disponibilizados cada vez mais difícil. Desta vez, o BCE colocou à disposição dos bancos do país mais 1,4 mil milhões de euros, o que faz com que o teto tenha sido elevado nesta quarta-feira para 76,9 mil milhões de euros, de acordo com informações divulgadas pela Bloomberg, que citou fontes conhecedoras do assunto.

A decisão do BCE segue-se a uma outra, no mesmo sentido, assumida na semana passada pela autoridade monetária da zona euro. Na altura, o teto em causa foi subido em 1,5 mil milhões de euros para acomodar as necessidades de liquidez do sistema financeiro grego. Com as negociações entre Atenas e os credores internacionais, Fundo Monetário Internacional (FMI), o próprio BCE e Bruxelas, a evoluírem ainda sem resultados, Frankfurt está a estudar outras medidas com o objetivo de limitar os riscos em que incorre ao “oferecer” dinheiro da ELA aos bancos da Grécia.

Com este objetivo, o BCE poderá impor um aumento no desconto às garantias que são prestadas pela banca grega em contrapartida pelo acesso a liquidez, tema que o conselho de governadores da instituição deverá discutir numa reunião que terá lugar a 6 de maio. “Quando o Eurosistema dá um apoio desta dimensão, temos as nossas regras sobre os colaterais”, afirmou um dos membros do conselho de governadores, Ardo Hansson, aos jornalistas, em Tallin, capital da Estónia. Mas quando se trata da ELA, acrescentou, “então esse assunto diz respeito ao banco central nacional, que dispõe de alguma latitude nesta matéria”. Isto é, a assistência de emergência é assegurada pelo banco central grego sob sua conta e risco contra colaterais de menor qualidade do que aqueles que são aceites pelo BCE.

Os problemas de liquidez que estão a ser experimentados pela banca grega têm a ver com a fuga de depósitos do país, num quadro de incerteza quanto ao futuro da Grécia, mergulhada num processo negocial complexo com os credores internacionais. Em março, os depósitos efetuados por empresas e famílias junto dos bancos da Grécia registaram uma queda de 1,9 mil milhões de euros, para 138,6 mil milhões, o nível mais baixo desde janeiro de 2005, segundo as estatísticas divulgadas nesta quarta-feira pelo banco central do país.

Estes números indicam que, em quatro meses, a queda no valor dos depósitos atingiu 26 mil milhões de euros, isto é, cerca de 16% do total. Em abril, o movimento de retirada de depósitos dos bancos terá prosseguido, a avaliar pelos sucessivos aumentos do teto da ELA decididos pelo BCE com o objetivo de ajudar o banco central grego a manter os bancos à tona de água. Mas os avisos de Frankfurt não cessam. O BCE não pode continuar a a ajudar os bancos gregos “indefinidamente”, afirmou Chritian Nover, outro membro da governação da autoridade monetária da zona euro, durante uma entrevista à Europe 1, nesta terça-feira. “O que é necessário são decisões em reformas fundamentais”, acrescentou o responsável.

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