destaque

José Viterbo, o treinador da Académica, é um beirão à séria, nado e criado em Coimbra. Nunca treinou um clube dos campeonatos profissionais, andou quase sempre entre a III Divisão (hoje Campeonato Nacional de Seniores) e a Divisão de Honra da Associação de Futebol de Coimbra, e sem títulos de maior no currículo. No começo da temporada, José Eduardo Simões, o presidente do seu clube de sempre, desafiou-o a trocar o Eirense pelos Sub-23 da Académica. Aceitou. O que José Viterbo não adivinhava é que, com o despedimento de Paulo Sérgio, que só conseguira uma vitória em 21 jogos disputados na Liga NOS, iria ter que treinar os mais graúdos.

Não, não é o melhor plantel da Académica nos últimos anos. Há Rui Pedro, que é um avançado talentoso, um dos mais promissores da sua geração (1988) quando andou pela formação do FC Porto, e que até já fez um hat-trick na Liga dos Campeões ao serviço do Cluj da Roménia; E há um tal de Goualy Magique (o apelido já é um cartão de visita ao que aí vem), costa-marfinense, que apesar de viver em Coimbra desde os 17 anos, ainda traz na canhota, descaído sobre a esquerda ou sobre a direita do ataque dos estudantes, a imprevisibilidade (e por vezes a inconsequência) do futebol de rua em Abidjan. Mas era francamente curto para garantir a permanência na Primeira Liga.

Paulo Sérgio deixou um plantel em ruína, sem arreganho, sem brio, incapaz de vencer tão pouco os adversários directos pela manutenção, e que muitos já davam como relegado para a Segunda Liga. E é aí que surge José Viterbo, o “Super-Mário” de Coimbra, que não tem o carisma de um Guardiola ou de um Mourinho, e que até faz lembrar, pelo farto bigode que orgulhosamente ostenta, um outro ídolo futebolístico da cidade, o “Rei Artur”, Artur Jorge. Viterbo sentou-se no banco, dizia-se que transitoriamente, no dia 22/2, à jornada 22, e, sina ou não, foi ganhar por 2-1 a casa do Estoril. Foi sorte!, alvitraram uns quantos. Seguiram-se mais cinco partidas, e José Viterbo não perdeu um único jogo: duas vitórias e três empates. Afinal não foi sorte!, e lá engoliram em seco, os maldizentes.

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Na antevisão da jornada deste fim-de-semana, antes do jogo com o Belenenses, em casa, José Viterbo prometeu que, caso vencesse – e a vitória garantiria a manutenção –, se livraria do seu amigo de longos anos, o bigode. A verdade é que empatou, mas, quem sabe, talvez regresse domingo de Paços de Ferreira com o buço a descoberto. Um empate é suficiente.

Na frente, nada de novo. O Benfica venceu confortavelmente o Penafiel, último classificado, na luz, e pressionou o Porto. Se os dragões perdessem com o Gil Vicente, o Benfica até festejaria o título do sofá. Com um bis de Jackson Martinez (que voltou a distanciar-se de Lima e Jonas), o Porto venceu o Gil Vicente, adiou a festa do Benfica, e torce agora para que o Vitória de Guimarães bata o pé a Jesus no Estádio D. Afonso Henriques. O Porto que, por sua vez, vai a Belém.

desilusão

O Penafiel, com a derrota na Luz, foi oficialmente relegado para a Segunda Liga. No começo da temporada, o presidente António Gaspar Dias, recém-eleito, congratulava-se por ter, dizia, o plantel mais português do campeonato, e confiava em Ricardo Chéu, que até fez uma boa temporada à frente do Académico de Viseu na Segunda Liga (quem subiu o Penafiel foi o agora treinador do Moreirense, Miguel Leal), para traduzir toda essa portugalidade em vitórias. O objetivo era a manutenção.

O Penafiel manteve parte do plantel da temporada passada, tinha bons valores individuais, como experimente defesa-central Tiago Valente, o médio João Martins, irmão do conhecido Carlos Martins, e com GPS no pé direito, e o baixinho mas veloz Aldaír Baldé, que até já foi internacional Sub-21 por Portugal. Contudo, a sucessiva mudança de treinador, que começou logo ao cabo de somente quatro jogos, não deu para mais. Carlos Brito é o terceiro timoneiro da época, e é ele que vai com a embarcação ao fundo. Mas ainda pode afundar o frágil salva-vidas de José Mota. É que o Penafiel recebe no domingo o Gil Vicente, antepenúltimo classificado. A derrota significaria o “adeus” dos gilistas à Primeira Liga.

O Sporting empatou na Amoreira com o Estoril, não fez um bom um jogo, pese embora Marco Silva tenha deixado de lado a rotatividade, e devolvido a titularidade aos do costume. O próximo jogo, em casa, com o Braga, será uma espécie de antecâmara da final da Taça de Portugal.

Na luta pelo sexto lugar, o último que dá acesso à Liga Europa, ninguém quer descolar. O Paços e o Belenenses até vão na frente, empatados, mas o Rio Ave e o Marítimo (que venceu em Braga) têm uma palavra a dizer até final. O Paços de Ferreira recebe a Académica na próxima jornada e vai à Madeira defrontar o Nacional na derradeira. O Belenenses recebe o Porto no domingo e joga em Barcelos com o Gil Vicente a seguir. O Rio Ave vai aos Barreiros jogar com o Marítimo e recebe o Sporting uma semana mais tarde, e até é quem tem o calendário teoricamente mais complicado. Tal como o Marítimo, que uma semana depois de receber os vila-condenses, vai ao Estádio da Luz – quem sabe já em festa – na última ronda.

frase

“Ele [Jorge Jesus] está acostumado a falar de tudo e de todos, como as equipas devem jogar, mais ou menos agressivas, mas é fácil falar quando se está debaixo de um manto protetor como ele está”. A verdade é que não é somente a renhida luta pelo título que vai alimentando a imprensa desportiva diária. Julen Lopetegui aproveitou a conferência pós-jogo no Estádio do Dragão para voltar a lançar umas farpas ao treinador do Benfica. Diz, Lopetegui que “O Benfica é líder, é um facto, tem três pontos de vantagem, mas ao longo da prova aconteceram erros, voluntários ou não, que custaram muito mais do que três pontos”. Se é uma estratégia à Mourinho para pressionar o adversário nas últimas jornadas e, sobretudo, se resultará, logo veremos, mas a verdade é que depois dos “Lotopeguis” de Jesus e do supracitado “puñetazo” que o treinador do Porto lhe verbalizou, o melhor é que os dois não se cruzem até final da Liga.

resultados


Rio Ave 0-0 Paços Ferreira

Benfica 4-0 Penafiel

Académica 1-1 Belenenses

SC Braga 1-3 Marítimo

Arouca 0-0 Boavista

Moreirense 3-1 V. Setúbal

Estoril Praia 1-1 Sporting

FC Porto 2-0 Gil Vicente

* o Nacional-V. Guimarães (20h) apenas se realiza esta segunda-feira.