Rádio Observador

Futuro da Grécia

Christine Lagarde, do FMI, diz que há “muito trabalho a fazer” até acordo com a Grécia

É cedo para dizer que está iminente um acordo entre os credores e a Grécia, afirma Christine Lagarde, recusando a ideia passada quarta-feira pela Grécia de que estaria prestes a haver "fumo branco".

SHAWN THEW/EPA

É verdade que “as coisas avançaram“, mas ainda há “muito trabalho a fazer” antes de se poder dizer que a Grécia e as instituições credoras estão de acordo sobre o pacote de reformas que permitirá a conclusão da última avaliação do segundo resgate. A análise é de Christine Lagarde, diretora-geral do Fundo Monetário Internacional (FMI), que descarta, assim, a mensagem difundida quarta-feira por fonte do governo grego, que apontava para a iminência de um acordo entre as partes.

“Estamos todos num processo de trabalhar no sentido de uma solução para a Grécia”, afirmou Christine Lagarde, numa entrevista à cadeia televisiva alemã ARD. Em declarações citadas pela Reuters, Lagarde deixou claro: “não diria, para já, que obtivemos resultados significativos“.

Na quarta-feira, uma fonte do governo grego dizia que “um projeto de acordo vai começar a ser redigido hoje em Bruxelas”. A mesma fonte indicou que a Grécia está disposta a fazer “alterações” no sistema de pensões, mas que estas não serão “cortadas”. Além disso, o acordo de que se falava previa um reajustamento das taxas de imposto sobre o valor acrescentado (IVA) e um valor mais reduzido para o excedente orçamental primário [diferença entre receitas e despesas, excluindo juros] que é esperado de Atenas. O acordo irá, também, incluir o que a fonte grega chama de uma “solução de longo prazo” para a dívida grega.

A Comissão Europeia reagiu imediatamente, na quarta-feira, insistindo que ainda existiam “divergências” a solucionar. O FMI não comentou, numa primeira fase, apesar de a fonte do governo grego ter garantido que os representantes do FMI e os da Comissão Europeia não estão em acordo sobre várias medidas a exigir de Atenas, dando a entender que “se não fosse necessário o consentimento do FMI já teria havido um acordo“.

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