O primeiro-ministro acredita que o perigo financeiro de uma queda da Grécia está afastado, ou pelo menos não é tão grave como em 2010, e que o que pode acontecer na Europa é um “contágio político” que deve ser evitado.
Aos jornalistas, no final da XXVIII Cimeira Luso-Espanhola, o primeiro-ministro disse que a solução para a Grécia não é um problema de “flexibilidade” em relação aos gregos, até porque a “União Europeia tem mostrado muita flexibilidade para tratar da questão europeia”.
Falando exaustivamente da questão grega, Passos explicou que não teme “de uma forma equivalente qualquer contágio de natureza financeira. O que pode existir é de natureza política. Pode existir na medida em que se um país decide estar ou não no euro em função daquilo que são as suas avaliações de natureza nacional. Nesse caso, a incerteza pode minar a confiança que precisamos para poder prosseguir o projeto europeu”.
Numa longa resposta, o primeiro-ministro fez questão de salientar a diferença entre Portugal, Espanha e Irlanda para a Grécia, dizendo que houve “quem fizesse o trabalho de casa” e que “não é verbo de encher dizer que a Grécia tem sido um caso isolado”.
Para corroborar as declarações que fez, o primeiro-ministro salientou que a Grécia dispôs de “soluções que mais ninguém teve”, falando do facto de Portugal ter taxas de juro e prazos para amortização do empréstimo superiores aos gregos. Por isso, disse “a ideia que, caso corra mal, pode haver quem esteja a beneficiar com isso, é uma falsa ideia”, enfatizou.
Não há extensão sem acordo
No início da declaração, o chefe do governo fez questão de dizer que não lhe parece “que exista por parte de nenhum governo qualquer impedimento para que se possa chegar a um entendimento”, no entanto também defendeu que não deve ser concedida uma extensão do empréstimo sem que haja uma certeza que serve para garantir um acordo:
“Nenhuma outra extensão seja concedida sem garantias claras que essa extensão seja dada para chegar a um acordo e não seja prolongada para prolongar um impasse uma incerteza que não é positiva nem para a Grécia nem para a zona euro”.
Na conferência de imprensa, o primeiro-ministro salientou que a resposta à Grécia não pode ser isolada e apelou a que “seja possível encontrar uma solução que funcione para a Grécia e que funcione para toda a zona Euro”. Neste quadro, Passos falou da necessidade de aprofundamento político e financeiro, num dia em que foi conhecido o plano dos cinco presidentes de instituições financeiras para uma reforma concertada e estrutural.
Para Passos, um incumprimento da Grécia ainda apresenta um “recrudescimento de novos riscos” embora “mais circunscritos” e por isso “é o momento de juntarmos à responsabilidade nacional, a responsabilidade comum, de adotarmos instituições e políticas europeias que favoreçam o crescimento e a criação de emprego e nos tornem, individual e globalmente mais competitivos e mais resistentes a choques”. Até porque “avançar agora nos passos que já demos (…) constituirá um importante compromisso com a moeda única que terá um impacto político e económico muito grande”.