O PCP vai entregar na quarta-feira na mesa da Assembleia da República um requerimento potestativo para ouvir o ministro da Educação no Parlamento. O caráter do pedido passa a ser assim obrigatório, pelo que Nuno Crato vai mesmo ter de ir ao Parlamento explicar o porquê de o ano letivo começar uma semana mais tarde do que o previsto, tal como o Observador noticiou esta tarde. Também o Bloco de Esquerda fez um pedido de audição “urgente”. O PS fala em “auto-reconhecimento do falhanço das políticas do Governo” e teme o pior.

Ao Observador, o gabinete de imprensa do grupo parlamentar do PCP confirmou que se prepara para entregar na manhã de quarta-feira um requerimento potestativo, ou seja, obrigatório, para chamar Nuno Crato ao Parlamento a propósito da notícia de que, ao contrário do que tem acontecido na última década, o Governo está a preparar o arranque do ano letivo para a semana entre 15 e 21 de setembro – uma semana mais tarde do que o habitual.

Também o Bloco de Esquerda pediu esta tarde uma audição “urgente” do ministro da Educação no Parlamento para prestar esclarecimentos sobre o atraso. No requerimento, assinado pelo deputado Luís Fazenda, o grupo parlamentar do BE escreve que Nuno Crato deve ser ouvido “com urgência”, tendo em conta “o histórico de gestão da atual tutela nesta matéria”. O arranque do ano letivo 2014/2015 esteve envolvido numa polémica acesa que levou o ministro a fazer um pedido de desculpas no Parlamento pelo erro de cálculo que envolveu a colocação de professores.

Do lado do PS, o sentimento é de “perplexidade”. Ao Observador, o deputado Acácio Pinto garante que o PS que o PS vai “acompanhar a situação com muita atenção” e afirma que a decisão do Ministério da Educação é prova de que o Governo “reconhece o falhanço das suas políticas” e “já está a antecipar que vai correr mal o início do ano letivo”. “É um prenúncio de que o processo de colocação de professores vai voltar a correr mal”, acrescenta.

“É incompreensível como é que o Governo altera de forma inopinada um calendário há tanto tempo definido”, diz, lembrando que “as famílias já organizaram as suas vidas em função daquele calendário”.

Esta quarta-feira o Observador avançou que a data que está a ser proposta pelo Ministério da Educação para o início das aulas do próximo ano letivo é entre 15 a 21 de setembro, ou seja uma semana mais tarde do que tem sido habitual nos últimos dez anos. O Ministério liderado por Nuno Crato justificou o atraso no arranque com o pretexto de se querer garantir “um maior equilíbrio na duração dos três períodos letivos”.