Na véspera de se assinalar um ano desde a queda, no leste da Ucrânia, do voo MH17, que vitimou 298 pessoas, a CNN avança algumas conclusões do relatório final para apurar as causas e as circunstância do incidente, que está a ser preparado há quase um ano. Sem surpresas, o avião foi abatido no ar por um míssil disparado pelos rebeldes separatistas pró-Rússia, avançam fontes oficiais norte-americanas que já tiveram acesso a uma primeira versão do documento elaborado pela equipa de investigadores do Conselho de Segurança Holandês.

O relatório foi feito por investigadores de várias nacionalidades, mas liderado pela equipa holandesa (nacionalidade da maioria das vítimas – o avião dirigia-se de Amesterdão para Kuala Lumpur), dá conta de que o míssil disparado pertence ao sistema Buk de mísseis terra-ar, criado pela União Soviética, e que terá sido lançado a partir de uma aldeia no leste da Ucrânia inserida no território controlado por Moscovo.

O MH17, da Malaysia Airlines, caiu a 17 de julho de 2014 no leste da Ucrânia, entre as regiões de Lugansk e Donetsk, quando voava de Amesterdão para Kuala Lumpur. Todos os 298 passageiros e membros da tripulação que iam a bordo perderam a vida, sendo que a principal tese apontava para o facto de o voo comercial ter sido abatido por engano pelos rebeldes separatistas pró-russos na altura em que o conflito com a Ucrânia estava noa auge.

Em setembro, menos de dois meses depois do desastre, foi divulgado um relatório preliminar do Conselho de Segurança Holandês que validava a tese de que o avião se tinha desintegrado no ar depois de ter sido atingido por “numerosos objetos de alta energia” que o “perfuraram quando ia a alta velocidade”. Na altura não havia referências diretas a mísseis ou ao tipo exato de “objeto” que tinha atingido o Boeing, mas os investigadores holandeses deixavam claro que não havia sinais de “falhas técnica sou erro humano”.

O relatório final está prestes a ser concluído, tendo sido já distribuído pelo Conselho de Segurança Holandês um rascunho a diversas agências de segurança internacionais para uma primeira revisão. O objetivo é avaliar discrepâncias ou incongruências e propor alterações e é com base nesse rascunho que saem agora para fora as primeiras conclusões.

Segundo as fontes ouvidas pela CNN, o documento (a primeira versão) tem largas centenas de páginas e detalha, minuto a minuto, a cronologia dos acontecimentos, apontando o local exato de onde o míssil foi disparado, identificando também quem estava no controlo daquele território: os rebeldes separatistas apoiados pela Rússia.

A companhia aérea da também não sai totalmente ilesa, com a investigação a apontar alguma culpa também ao facto de a Malaysia Airlines ter sobrevoado aquela zona de conflito, quando algumas companhias estavam a evitar fazê-lo naquela altura de maior tensão. Segundo o relatório, a Malaysia Airlines não estava a transmitir aos seus pilotos as notificações de outros países, notas que normalmente os pilotos têm de ler antes de determinado voo e que costumam conter algumas recomendações especiais sobre as condições dos vários espaços aéreos, nomeadamente sobre as zonas de conflito.