A Igreja Anglicana, na voz do bispo de Dover, acusa o primeiro-ministro, David Cameron, de ter esquecido dos seus sentimentos humanitários no que diz respeito à questão dos migrantes retidos em Calais, noticia o Guardian. O bispo Trevor Willmott acrescenta ainda que a retórica do primeiro-ministro não ajuda em nada à situação.

O bispo Trevor Willmott virou-se também contra os órgãos de comunicação, acusando-os de propaganda “tóxica” para espalhar antipatia contra os emigrantes, cita o jornal britânico.

“Tornámo-nos num mundo cada vez mais duro. E quando nos tornamos duros uns com os outros e nos esquecemos dos nossos sentimentos humanitários, acabamos nestas posições de impasse”, disse o bispo. “Precisamos de redescobrir o que é ser um ser humano e que todos os seres humanos importam.”

A associação Save the Children também critica a atitude política, num discurso em linha com o do bispo Trevor Willmott, lembrando que os migrantes são seres humanos e muitos fogem de situações de abuso e de perigo. “Corremos o risco de fechar os nossos corações ao desespero das pessoas que suplicam à nossa porta, aos refugiados, não aos ’emigrantes económicos'”, disse ao Observer Justin Forsyth, presidente da instituição.

O representante especial para as migrações das Nações Unidas, Peter Sutherland, sugere que as atitudes do Reino Unido perante esta crise mostram que as lições dadas pelo nazismo não foram bem entendidas. “Muitos destes [indivíduos] em Calais são refugiados, tal como os judeus o eram em 1939. Eles podem provar que foram – e são – perseguidos e serão perseguidos se voltarem [ao país de origem].”

Philippe Mignonet, o vice-presidente do município de Calais, chamou “racista” a David Cameron. Já Harriet Harman, líder interina do Partido Trabalhista, depois de acusar o primeiro-ministro de usar uma “linguagem incendiária”, incitou-o a pedir uma indemnização a França por todos os camionistas, transportadores e turistas afetados com o caos em Calais.