O primeiro-ministro do Reino Unido, David Cameron, vai anunciar que pretende manter a adesão da Grã-Bretanha à União Europeia (UE), contrariando uma série de reivindicações de militantes que querem para o Reino Unido a mesma solução de que beneficia a Noruega, avança o The Guardian.

Cameron irá utilizar uma visita ao Fórum Futuro do Norte, realizado na Islândia, para descartar as reivindicações do “Leave Group”, que defende que o Reino Unido poderia desfrutar de um acordo especial com a UE se adotasse a solução e as linhas vermelhas negociadas pela Noruega.

O primeiro-ministro irá rejeitar a proposta para a realização de dois referendos sobre a permanência ou não na UE. Cameron realizará, como planeado, um referendo até ao final de 2017, reafirmando que não será dada mais nenhuma oportunidade, como os ativistas anti-UE esperavam que acontecesse. 

“O referendo vai ser definitivo”, disse uma fonte oficial do governo. “Se o povo da Grã-Bretanha votar para deixar, então deixamos. Se votarmos para permanecer, então nós permanecemos.”

A campanha levada a cabo pelo “Leave Group” construiu uma proposta que procuraria minimizar os riscos da saída britânica, defendendo que o Reino Unido podia seguir o exemplo da Noruega, que tem acesso ao mercado único da UE como membro do Espaço Económico Europeu. 

O primeiro-ministro, David Cameron, irá repetir a crítica que já havia feito em 2013, no que diz respeito à possibilidade do Reino Unido seguir os passos da Noruega: “Há algumas pessoas que sugerem que nós poderíamos transformar-nos na Noruega ou Suíça – com o acesso ao mercado único, mas fora da UE. Mas isso seria realmente do nosso interesse?”, interrogou-se Cameron. “Eu admiro esses países, mas eles são muito diferentes de nós. A Noruega tem uma das maiores reservas de energia na Europa e um fundo soberano de mais de 500 mil milhões de euros. E apesar de a Noruega fazer parte do mercado único, não tem voz na criação das suas regras, só tem que implementar as suas diretivas”, acrescentou.

A campanha pró-UE, segundo o The Guardian, vai lançar uma campanha de cartazes destacando uma nova pesquisa que mostra que cada pessoa que viva na Grã-Bretanha iria mesmo assim ter pagar 115 libras por ano (160 euros) à União Europeia se o Reino Unido adotasse a solução norueguesa.