A economia francesa cresceu 0,3% no terceiro trimestre, um valor que superou ligeiramente as expectativas dos economistas e que marca o regresso ao crescimento positivo na segunda maior economia da zona euro depois do preocupante 0,0% do segundo trimestre. Também a Alemanha terá crescido 0,3% no terceiro trimestre, uma leitura que também foi bem recebida pelos economistas.

O Eurostat vai divulgar esta sexta-feira, às 10h, o seu relatório sobre as taxas de crescimento na Europa. E o INE divulga, meia hora antes, a primeira estimativa às Contas Nacionais Trimestrais. Porém, já foi injetado algum otimismo na Europa esta manhã com os números divulgados pelos gabinetes de estatística de França e Alemanha.

Os economistas estão a destacar a aceleração do crescimento económico em França e o facto de não ter havido “um momento 6ª feira, 13” na economia alemã, diz um economista em alusão aos riscos associados à China e à desaceleração de alguns mercados emergentes. Ainda assim, o crescimento trimestral de 0,3% na Alemanha representa uma desaceleração face aos 0,4% que o PIB tinha crescido no segundo trimestre, face ao primeiro.

Ainda assim, os dados da Alemanha demonstram que as exportações deram uma contribuição líquida negativa para o crescimento, pelo que estará a sentir-se algum impacto do abrandamento global que tem sido sinalizado por várias instituições, como o FMI e a OCDE. Carsten Brzeski, economista do ING, comenta em nota enviada aos clientes que “os dados da Alemanha não podem ser vistos como um sinal de alívio, já que demonstram apenas que está a aumentar o consumo graças às taxas de juro baixas, à robustez do mercado de trabalho e a baixa inflação”.

Já em França os indicadores sugerem que o país deverá conseguir crescer, pelo menos, 1% no final do ano. Anteriormente, o gabinete de estatísticas Insee tinha apontado para um crescimento trimestral de 0,2%, pelo que o registo de 0,3% foi recebido pelos economistas como uma surpresa positiva. Ainda assim, mesmo que o PIB cresça 1% no final do ano, isso fica abaixo do objetivo de 1,5% que, na visão dos economistas, François Hollande necessitará para baixar o desemprego no país, que está em 10%, nota o Financial Times.