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Foi o ex-Presidente da República que rompeu com a tradição ao lançar a bomba atómica da dissolução do Parlamento para demitir um primeiro-ministro, Santana Lopes, que liderava uma coligação com maioria no Parlamento. Antes tinha-lhe posse sem que tivesse ido a votos, algo que não sucedia desde o tempo de Ramalho Eanes e da primeira revisão constitucional, a de 1982, que retirou poderes ao Presidente da República. Talvez por isso, Jorge Sampaio defende que Cavaco Silva não deve ficar amarrado nesta altura, deve dar posse rapidamente a um novo Governo e este deve passar na Assembleia da República. Mais não quer isto dizer que o ex-Presidente da República apoia a solução de Governo apresentada pelo líder socialista.

Jorge Sampaio tem estado calado até agora. Mas esta quarta-feira em Beja, decidiu dar voz ao que defende. Disse Sampaio que não há dúvidas sobre aquilo que os deputados disseram ao Presidente da República: “Sendo as indicações parlamentares fáceis de ler, não é justificável adiar por mais tempo a formação de um novo Governo”, disse, citado pelo Público e pelo Expresso.

O ex-chefe de Estado até muda os nomes para explicar que a Constituição prevê este tipo de soluções: “No nosso quadro constitucional, os governos formam-se a partir das eleições parlamentares, apresentam-se e respondem politicamente perante o Parlamento”, disse. Ora Sampaio nunca se referiu à solução de Governo PS, mas ficou implícito que a defende até porque diz que deve ser nomeado um Governo que veja o seu programa passar na Assembleia da República e que fique em plenitude de funções.

“Portugal precisa de um Governo na plenitude das duas funções, como preceitua a Constituição da República, e capaz de responder às duras exigências que a situação nacional e os constrangimentos internacionais nos colocam”, disse em Beja.

As declarações do ex-Chefe de Estado acontecem numa altura em que o Presidente da República marcou audiências sobre a atual situação política e onde não consta, até ao momento, a marcação de um Conselho de Estado, órgão onde se sentam os ex-Presidentes.

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