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A Turquia suspendeu os ataques aéreos na Síria e o seu Presidente pediu um encontro com Vladimir Putin, mas a Rússia não parece disposta a perdoar. Depois de pedir aos seus cidadãos para não viajarem para a Turquia e de reforçar o controlo sobre as importações turcas, Moscovo decidiu agora suspender a dispensa de visto para os cidadãos turcos.

Ancara quis dar alguns sinais de aproximação. O primeiro-ministro anunciou, numa entrevista publicada hoje, que os ataques aéreos ao Estado Islâmico na Síria estavam suspensos, o Presidente Reçep Tayyip Erdogan pediu um encontro com o Presidente russo Vladimir Putin, mas Moscovo não parece disposto a ceder.

Segundo o ministro dos Negócios estrangeiros da Rússia, Sergei Lavrov, a partir de 1 de janeiro os cidadãos turcos que viajarem para a Rússia deixarão de ter direito à dispensa de visto.

A Rússia já tinha pedido aos seus cidadãos para não viajarem para a Turquia, alegando questões de segurança, e decidiu aumentar o controlo sobre as importações turcas (a Rússia é o maior parceiro comercial da Turquia), a quem acusam de violar constantemente as regras.

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A decisão é conhecida depois de Reçep Tayyip Erdogan ter enviado um convite, e admitido isso mesmo publicamente, a Vladimir Putin, para se encontrarem cara a cara em Paris na segunda-feira, onde estarão para a cimeira do clima.

A Turquia mantém que disparou sobre o avião porque este violou, sem autorização, o espaço aéreo turco, depois de repetidos avisos, e que na altura não sabia qual era a nacionalidade do avião.

O Kremlin acusa Ancara de fazer uma “provocação premeditada”, garante que o avião nunca chegou a entrar em espaço aéreo turco e que não representava uma ameaça. Um dos pilotos foi morto a tiro por rebeldes sírios que lutam contra o governo de Bashar al-Assad, cujo regime é apoiado por Moscovo, o outro sobreviveu e confirmou a versão dos acontecimentos do governo russo.

Vladimir Putin considerou que o incidente é “inaceitável” e acusou a Turquia de apoiar os terroristas do Estado Islâmico, inclusivamente comprando-lhe petróleo.

Reçep Tayyip Erdogan acusou a Rússia de não atacar o Estado Islâmico, mas apenas os opositores de Bashar al-Assad, e diz que os russos estão a usar o incidente como um pretexto para continuarem a reforçar o regime sírio. Quanto à compra de petróleo, o Presidente da Turquia diz que é uma “falta de respeito” ligar a Turquia ao grupo terrorista e que o petróleo usado na Turquia é comprado à Rússia.