Luanda, 02 dez (Lusa) – Cerca de 1.150 delegados da UNITA reúnem-se a partir de quinta-feira, em Luanda, para o XII congresso ordinário do maior partido da oposição em Angola, que servirá para escolher o líder e candidato às eleições de 2017.

A sessão de abertura do congresso está agendada para a manhã de quinta-feira, em Viana, nos arredores de Luanda, e a eleição do presidente da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), à qual concorrem os deputados Lukamba ‘Gato’, Kamalata Numa e Isaías Samakuva, decorrerá no sábado.

A preparação deste congresso, que arrancou a 01 de julho, envolveu a realização de 18 conferências provinciais de militantes da UNITA, 164 municipais, cinco assembleias de núcleos das estruturas centrais e uma conferência dos antigos combatentes, informou o partido.

Está a prevista a presença de 1.150 delegados ao congresso, que vão votar para a escolha do líder do partido, mas segundo informação da UNITA, até terça-feira, alguns representantes provenientes de Portugal não tinham ainda visto de entrada em Angola.

O candidato à liderança da UNITA Lukamba Paulo ‘Gato’, em declarações anteriores à Lusa, preconizou um partido que seja “mais combativo e ganhador”, para que seja possível liderar e operar a “mudança desejada” em Angola.

Lukamba Paulo ‘Gato’ reedita o duelo de há 12 anos, logo após a paz alcançada em Angola, com Isaías Samakuva – atual presidente da UNITA e recandidato – e quer preparar a “alternativa” para as eleições gerais em Angola, previstas para agosto de 2017.

Já Abílio Kamalata Numa acusou o Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), no poder desde 1975, de estar preocupado com a sua candidatura, por pretender, disse, a “subalternização” do maior partido da oposição angolana.

“O MPLA sempre quis lideranças que fossem subalternas, nós estamos a propor uma liderança que tenha competências para discutir os assuntos nacionais, sem se subjugar a nenhuma outra pressão”, apontou, defendendo uma postura de diálogo com aquele partido, mas respeitando a matriz das duas forças políticas, traduzido num “compromisso nacional” a estabelecer.

Isaías Samakuva, único presidente da UNITA desde a morte do fundador e líder histórico Jonas Savimbi em 2002, recandidata-se ao cargo garantindo que o partido está hoje em condições de governar Angola e responder às “necessidades de mudança” no país.

“Os angolanos devem-se unir, precisam de facto de ver mudanças significativas do país. E aqui nós queremos contar com todos, inclusive com aqueles angolanos que estejam no MPLA, mas que saibam que há a necessidade de uma mudança”, apontou anteriormente Isaías Samakuva.

Além da eleição do presidente do partido durante o dia de sábado – que será candidato do partido nas eleições gerais (legislativas e presidenciais) de agosto de 2017 – e dos restantes órgãos dirigentes, este congresso vai ainda discutir o relatório da comissão política do período 2011-2015.

Os delegados vão ainda fazer a reavaliação da linha político-ideológica do partido, rever dos estatutos e aprovar um programa para o período 2015-2019.