Banif

Maria Luís tinha um nome para liderar o Banif. Mas ele recusou

Jornal de Negócios avança parte da carta de resposta de Maria Luís Albuquerque à Comissão Europeia, em março de 2015. Chinês Haitong e um fundo privado estavam interessados no banco.

Helder Santos

Maria Luís Albuquerque convidou uma pessoa para substituir Jorge Tomé na liderança executiva do Banif mas, antes de março de 2015, essa pessoa recusou o convite por não ter conseguido formar a equipa que desejava. Esta é uma das ideias principais de uma carta avançada pelo Jornal de Negócios, esta terça-feira, enviada pela antiga ministra das Finanças a Bruxelas. Uma carta que dá, também, conta de que havia dois interessados no Banif.

“Apesar de alguns desenvolvimentos positivos, lamento informar que a pessoa que tinha a intenção de nomear para CEO [presidente executivo] do Banif não conseguiu formar a equipa que considerava essencial para gerir o banco e recusou o convite”. A carta, citada pelo Jornal de Negócios, não inclui o nome dessa pessoa que foi convidada para substituir Jorge Tomé – uma substituição que tinha sido acordada entre o governo português e a Comissão Europeia alguns meses antes.

A carta, que data de 27 de março de 2015, terá sido uma carta a prestar satisfações a Bruxelas por não ter cumprido o prazo acordado – março de 2015 – para se encontrar uma solução. Daí à abertura de uma investigação aprofundada por Bruxelas foram alguns meses. Isto apesar de Maria Luís Albuquerque indicar que havia dois interessados na compra do Banif: o chinês Haitong (que comprou o BESI) e o fundo Cobussen & Partners.

Maria Luís convidou (também) alguém de dentro do Banif

O Observador teve, entretanto, acesso à carta noticiada em primeira mão pelo Negócios. Uma carta onde Maria Luís indica que, além dessa pessoa externa ao banco que recusou o convite, foi ainda convidado “um membro da atual equipa de gestão para liderar o banco, substituindo o atual CEO, mas ele/a não se dispôs a aceitar”.

Além disso, “outras pessoas já tinham sido contactadas, sem sucesso”, pode ler-se na carta de Maria Luís Albuquerque à comissária europeia Margrethe Vestager.

A ex-ministra das Finanças dizia-se “confiante de que uma solução poderá ser encontrada, [mas] receio ter de apontar estes desenvolvimentos dececionantes, à luz do prazo que tínhamos acordado”. “De todo o modo, como já expliquei anteriormente, os novos acordos de governance dentro do Banif aumentaram o envolvimento dos representantes do Estado através de uma supervisão mais robusta no Comité de Auditoria e criou-se um comité especial para seguir a venda da Açoreana”, acrescentava Maria Luís Albuquerque.

A ex-ministra pedia um encontro em Bruxelas com a comissária europeia para discutir o tema do Banif, “o mais brevemente possível, dentro da sua disponibilidade”, para falar dos desenvolvimentos mais negativos e, também, dos mais positivos. Apesar de tudo, a ministra dizia que o Banif estava a promover uma redução dos custos operacionais em linha com o previsto, ainda que o banco estivesse “ligeiramente atrasado” com a redução do pessoal.

De resto, “os lucros em 2014 só não corresponderam às previsões devido a perdas inesperadas“. O Banif perdeu, em 2014, cerca de 100 milhões de euros com um investimento em dívida da Rio Forte, uma empresa do Grupo Espírito Santo.

Agora que entramos em 2019...

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