Mais de mil pessoas manifestaram-se, este domingo, em dois locais em Teerão, no Irão, para protestar contra a execução do líder religioso xiita Nimr Baqir al-Nimr, constaram jornalistas da agência AFP. Os manifestantes concentraram-se perto da embaixada da Arábia Saudita, apesar da interdição do Governo para evitar novos incidentes, depois do ataque lançado durante a noite contra este edifício, que foi parcialmente queimado.

Durante o protesto, os manifestantes gritavam “morte a Al-Saud”, o nome da família reinante em Riade, e queimaram bandeiras norte-americanas e israelitas. Presente no local, o chefe da polícia de Teerão pediu aos manifestantes para dispersarem.

Ao mesmo tempo, 300 a 400 pessoas reuniram-se na praça Palestina para contestar a execução do clérigo xiita saudita, também gritando palavras de ordem contra o regime de Riade, os Estados Unidos e Israel.

Segundo a AFP, decorreram também manifestações noutras cidades iranianas.

A morte do líder religioso xiita provocou violentos protestos contra a embaixada da Arábia Saudita em Teerão e o líder supremo do Irão, o ayatollah Ali Khamenei, já advertiu que a Arábia Saudita vai sofrer uma “vingança divina” pela execução de “um mártir” que foi morto “injustamente”.

Entretanto, o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, disse estar “profundamente consternado” com a execução de 47 pessoas na Arábia Saudita e apelou à calma nas reações à morte do líder religioso xiita, segundo o porta-voz da ONU.

Nimr al-Nimr, que passou mais de uma década a estudar teologia no Irão e foi o impulsionador dos protestos xiitas contra o Governo saudita desde 2011, foi um dos 47 xiitas e sunitas executados no sábado na Arábia Saudita, tendo a sua morte provocado violentos protestos no Irão.

O Ministério do Interior da Arábia Saudita afirmou, no sábado, num comunicado, que as 47 pessoas executadas tinham sido condenadas por terem adotado a ideologia radical “takfiri”, juntando-se a “organizações terroristas” e implementando várias “parcelas criminosas”.

Estas foram as primeiras execuções de 2016 na Arábia Saudita, um país ultraconservador que executou 153 pessoas em 2015, segundo uma contagem realizada pela agência France Presse (AFP) com base em números oficiais.