Cerca de 90 mulheres apresentaram queixa por assalto, assédio sexual e, pelo menos, uma violação, que terão ocorrido durante as celebrações de passagem de ano de 2015 para 2016 no largo em frente à estação central de comboios de Colónia, na Alemanha, noticia a agência Reuters.

De acordo com a polícia, na noite do réveillon cerca de mil homens dividiram-se em vários grupos e levaram a cabo os ataques nas imediações da Catedral de Colónia onde muitas pessoas se juntaram para receber 2016 com um espetáculo de fogo de artifício.

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Wolfgang Albers, chefe da polícia da cidade alemã, classificou os ataques como “uma nova dimensão de crime”. Albers adiantou, em conferência de imprensa, que os homens têm sido descritos pelas testemunhas como tendo “origem árabe ou norte africana” e maioritariamente entre 18 e 35 anos.

A vaga de violência está a causar indignação e revolta em toda a Alemanha, mas Aydan Ozoguz, comissário da Integração, já veio a público alertar para o perigo de colocar sob suspeita os milhares de refugiados a quem a Alemanha concedeu asilo. Henriette Reker, presidente da câmara de Colónia, afirmou que ser “inacreditável e intolerável o que aconteceu na véspera do Ano Novo”, mas que não havia nenhuma razão para acreditar que os envolvidos nos ataques seriam refugiados.

A chanceler Angela Merkel manifestou estar chocada com os ataques que levaram cerca de 150 pessoas a manifestarem-se em frente à Catedral de Colónia, na terça-feira à noite, para protestar contra a violência contra as mulheres. “Onde está senhora Merkel? O que tem a dizer sobre isto? Estamos assustados!”, lia-se num dos cartazes empunhados pelos manifestantes.

“Resposta firme”

Face aos acontecimentos, a chefe do governo alemão expressou, em comunicado, “indignação e repulsa em relação às ofensas e ataques sexuais, que exigem uma resposta firme do Estado de Direito […] Vamos fazer tudo para encontrar os responsáveis tão rápida e minuciosamente quanto possível, e puni-los, independentemente da sua origem”, refere o Politico.

Vários grupos, que se opõem à política de “portas abertas” de Angela Merkel, têm aproveitado os incidentes para exigir a alteração das políticas migratórias e de acolhimento da Alemanha, que em 2015 recebeu mais de um milhão de refugiados.

A líder do Alternative für Deutschland (AfD), partido da extrema-direita, Frauke Petry, deixou no Twitter uma pergunta para Angela Merkel: “Após a onda de crimes e ataques sexuais, será que a Alemanha já é ‘colorida e cosmopolita’ o suficiente para si, Senhora Merkel?”