Eleições Espanha 2015

Rajoy e o governo do PSOE: “Não me parece que seja o mais conveniente para Espanha”

O líder do Partido Popular criticou Pedro Sánchez por se recusar a viabilizar um novo governo de Rajoy. O Presidente do Governo em funções diz que está em "conversas discretas" com outros partidos.

Se Espanha não tiver um governo até 13 de março, terão de ser convocadas novas eleições

JUAN CARLOS HIDALGO/EPA

O governo do PSOE com as forças independentistas e à sua esquerda ainda não existe, nem tampouco se sabe se virá a existir, mas Mariano Rajoy já deixa críticas à solução que Pedro Sánchez procura para chegar ao poder. “Não me parece que isso seja o mais conveniente para Espanha”, disse.

O Presidente do Governo espanhol começou por falar naquela que seria a sua primeira opção. “Podia criar-se um grupo forte de 250 deputados [sensivelmente a soma do PP, PSOE e Ciudadanos] que podia levar parra a frente reformas que transmitiriam para fora e para dentro de Espanha uma mensagem de tranquilidade, estabilidade e certeza”, disse.

Mas, admite, existem outras opções, para as quais Sánchez tem apontado — e das quais Rajoy não tem nada de simpático a dizer. “A partir daí, evidentemente que os números permitem outra coisa. Mas estaríamos perante uma coligação com oito ou nove partidos, alguns com planos claramente independentistas, outros partidários do direto de auto-determinação e não me parece que isso seja o mais conveniente para Espanha.”

Rajoy sublinhou ainda que se o PSOE formar governo, “seria a primeira vez que na história da democracia espanhola que o partido que ganha não governa e será a primeira vez que se produz um pacto com estas características”.

Na quinta-feira, Sánchez esteve de visita à sede nacional do Partido Socialista português, onde foi acompanhado do primeiro-ministro António Costa. A propósito, o porta-voz do Partido Popular, disse que “Portugal pode ser um país sério, mas parece-me mais séria a Alemanha”.

“Conversas discretas” e… com pouca esperança

Os próximos dias, garante, serão de iniciação de “conversas discretas para ver qual é a disponibilidade de cada um [partido], mesmo que não tenhamos a disponibilidade do senhor Sánchez”.

Seja como for, os números não são sorridentes para Rajoy. Sem a ajuda do PSOE, nunca conseguirá formar governo. Daí, na citação que se segue, mais do que o que disse, importa o tom pouco esperançoso com que o disse: “Creio que o melhor para Espanha, o que dá estabilidade, segurança, certeza e respeita a vontade dos espanhóis e pode proporcionar quatro bons anos para a frente é a minha proposta e portanto vou defendê-la até que, pois enfim, a consiga levar para a frente“.

Da mesma maneira que é difícil que Mariano Rajoy consiga chegar a uma solução de governo, também os socialistas do PSOE terão dificuldades nesse sentido quando for a sua vez de negociar. Isto porque, para conseguirem formar governo, terão sempre de chegar a acordo com o Podemos. O problema surge quando o partido de Pablo Iglesias coloca a realização de um referendo à independência da Catalunha como uma “linha vermelha” para falar com o partido de Sánchez — algo que, do lado dos socialistas, é inegociável.

O cenário de eleições antecipadas já começa a ser discutido, mesmo que os líderes políticos o descartem para já. Certo é que o Congresso de Deputados toma posse dia 13 de janeiro, tendo a partir daí dois meses para aprovar um governo. Assim, a data limite é 13 de março. Se não houver uma decisão até então, Espanha irá de novo a votos.

Partilhe
Comente
Sugira
Proponha uma correção, sugira uma pista: [email protected]
União Europeia

A crítica da razão europeia (II) /premium

António Covas

A “dinâmica convencional” da Federação Europeia de Estados-Nação será ascendente e descendente, de acordo com o princípio de subsidiariedade, assim se distinguindo de uns Estados Unidos da Europa.

França

Merci, Mr. Macron /premium

André Abrantes Amaral

É o desempregrado que tem pensar em primeiro lugar o que pretende fazer da sua vida. Vivê-la por si ou à conta de outrem? O que Macron disse não é simpático, pode não garantir votos, mas é sério. 

União Europeia

A crítica da razão europeia (II) /premium

António Covas

A “dinâmica convencional” da Federação Europeia de Estados-Nação será ascendente e descendente, de acordo com o princípio de subsidiariedade, assim se distinguindo de uns Estados Unidos da Europa.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

1
Registo
2
Pagamento
Sucesso

Detalhes da assinatura

Esta assinatura permite o acesso ilimitado a todos os artigos do Observador na Web e nas Apps. Os assinantes podem aceder aos artigos Premium utilizando até 3 dispositivos por utilizador.

Só mais um passo

Confirme a sua conta

Para completar o seu registo, confirme a sua conta clicando no link do email que acabámos de lhe enviar. (Pode fechar esta janela.)