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Comida

O ar é de todos? A Sociedade também quer ser

"Tenho a sorte de ter este espaço mas quero partilhá-lo com toda a gente". A frase é de Cláudia Villax, responsável pel'A Sociedade, e explica muito do que vai acontecer nesta oficina gastronómica.

Autor
  • Tiago Pais

Quando se entra n’A Sociedade sente-se, por momentos, que se está dentro de uma hipotética edição real da revista Kinfolk, a bíblia do slow living. A mesa, ao fundo, com a cabeça de veado a observar, podia perfeitamente ilustrar a capa. A zona de escritório não ficaria nada mal nas páginas interiores. A cozinha totalmente aberta ou a pequena biblioteca idem. Mas a culpa dessa primeira impressão é, sobretudo, da luz. Uma imensa luz natural que entra pela montra e pelas três enormes janelas do teto e que dá ao espaço um ar quase celestial.

A Sociedade auto-descreve-se em três palavras: oficina gastronómica criativa. Cláudia Villax, a responsável, simplifica: “Queremos que seja um ponto de encontro, tal como em muitas vilas e aldeias a Sociedade local era o ponto de encontro das pessoas da terra, daí o nome.”

A Sociedade TP1

Podia ou não podia ser a capa da Kinfolk?
(foto: © Tiago Pais / Observador)

Como é que tudo isto nasce?

Um dos projetos de Cláudia é a agência de design de comunicação Food People & Design. A Sociedade é, ao mesmo tempo, o novo escritório dessa mesma agência. Mas em vez de o ser simplesmente, também é, nas suas palavras “um espaço aberto a todos os que queiram saber mais sobre comida.” Assim, pode ser usado/alugado para eventos ligados à gastronomia, sejam apresentações de produtos ou de chefs, workshops, tertúlias ou até sessões fotográficas ou de vídeo.

Em apenas uma semana, o espaço já acolheu dois eventos: um pequeno-almoço, o Breakfast Club LX, promovido pelo guia nova-iorquino Trends on Trends, e o respetivo almoço de apresentação Oh Deer! — uma referência ao veado que decora uma das paredes e que, é fácil de prever, não demorará a tornar-se famoso entre os visitantes do espaço.

Agência rima com convivência. Será tendência?

O conceito d’A Sociedade não é totalmente inédito em Lisboa. O Apartamento nasceu há pouco mais de um ano, pela mão de Armando Ribeiro, também ele fundador de uma agência de comunicação, neste caso a Plataform-a, cujo escritório se transferiu para a sede do projeto, um T4 na Avenida Duque de Loulé onde se reúnem, em eventos periódicos, mentes criativas de diferentes áreas e países, do meio editorial à gastronomia, da Suécia a Campo de Ourique. Mais recentemente, a agência YoungNetwork também criou um espaço físico aberto ao público, neste caso uma taberna em Santos. Ali estimula-se o espírito de equipa, responsável, de forma rotativa, pela gestão do espaço, e fazem-se reuniões com clientes.

“Em tudo aquilo que estou envolvida vou descobrindo cada vez mais sobre alimentação, então pensei que seria engraçado ter um espaço onde pudesse partilhar todo esse conhecimento”, explica Cláudia, que até começou por ser jornalista de economia, antes de trocar os números pelos alimentos. Do seu portfólio constam livros como Da Horta Para a Mesa ou Brunch, além da quinta biológica Azeitona Verde, onde produz o azeite homónimo e permite que qualquer pessoa adote uma oliveira.

Ligada à A Sociedade também está a sua filha Sara, que estudou na famosa Universidade da Slow Food, em Itália, passou por Harvard para aprofundar conhecimentos sobre sustentabilidade, criou o Bananal Food Lab no Rio de Janeiro e, atualmente, está em Copenhaga a trabalhar no 108, o novo restaurante de René Redzepi, do Noma.

A Sociedade TP11

A Sociedade tem uma biblioteca gastronómica com cerca de 300 livros, que qualquer pessoa pode consultar. (foto: © Tiago Pais / Observador)

N’A Sociedade defendem-se os princípios da produção sustentável e local, ligada às estações do ano. E isso percebe-se não só em conversa com Cláudia e restantes membros do projeto, como pelo recheio da biblioteca, com vários livros dedicados a esse(s) tema(s), ou ainda pelo que está previsto ali acontecer nos próximos tempos. A saber: um workshop de comida saudável com Maria João Fernandes, da Kensho, uma chef ligada ao movimento da cozinha holística ou outro de flores com Albane e Luís da kckliko, um projeto interessantíssimo em que os arranjos florais nascem do que se apanha em jardins e mesmo em terrenos abandonados ou até na beira da estrada.

Isto é só a amostra: de agora em diante e até ao final do ano muito mais há-de acontecer neste estúdio. Haja fome — literal ou de aprender — que espaço não faltará. E luz muito menos.

Nome: A Sociedade
Morada: Rua Luís Fernandes, 32A (Príncipe Real) Lisboa
Telefone: 21 829 8902
Site: asociedade.pt

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