Perto de 20.000 pessoas, segundo a polícia, desfilaram hoje à tarde no centro de Londres para exigir uma política de acolhimento mais generosa para com os refugiados.

Foi ao som de música e a dançar que os manifestantes partiram de Park Lane, uma avenida longitudinal a Hyde Park, no centro da cidade, agitando cartazes nos quais se lia “Um mundo, um povo”, “Os amigos são bem-vindos aqui” ou “Todos iguais, todos bem-vindos” enquanto rumavam em direção às instalações da primeira-ministra, a conservadora Theresa May.

“Vim aqui hoje porque os meus filhos têm a sorte de dormir todos os dias numa casa segura e sem fome e acho que todas as crianças têm direito ao mesmo”, disse à Agência France Presse (AFP) Claire-Marie Goggin, de 47 anos, que foi à concentração com os seus dois filhos.

À medida que se iam aproximando de Picadilly Circus, os manifestantes gritavam palavras de ordem como “Refugiados, deixai-os ficar… deportem Theresa May”.

“A minha mensagem é no sentido de protegermos todos os irmãos e irmãs provenientes de todo o mundo, no sentido de os deixarmos vir para cá e pararmos de os penalizar devido à proveniência ou à cor da pele”, disse Felicity Rose, uma voluntária de 33 anos que trabalha na “selva” de Calais e que se deslocou propositadamente a Londres para a concentração.

Promovida pela Organização Não-Governamental (ONG) Solidariedade com os Refugiados e apoiada pela Amnistia Internacional (AI), a manifestação decorre dias antes da 71.ª assembleia geral da Organização das Nações Unidas (ONU) na qual serão debatidas questões relacionadas com migrantes e refugiados assim como a situação na Síria.

Segundo a ONU, há 65 milhões de pessoas deslocadas no mundo, dos quais 21 milhões de refugiados fogem de perseguições, situações de pobreza, de conflitos ou de guerra, como a da Síria, que já causou 300.000 mortes.

O Reino Unido, que se recusa a participar em quotas europeias de repartição dos refugiados que chegam à Europa, prometeu acolher, durante cinco anos, 20.000 sírios provenientes de campos de refugiados da fronteira síria.